terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

O Desserviço Público Prestado Pela Secretaria de Cultura de Diadema - SP.

 



O Desserviço Público Prestado Pela Secretaria de Cultura de Diadema - SP.

A Secretaria de Cultura de Diadema, por meio de uma empresa conveniada, mera repassadora de recursos, tem se consolidado como um verdadeiro cabide de empregos, beneficiando interesses particulares em detrimento da cultura popular, dos trabalhos artísticos com senso crítico e inovadores, promovendo a pesquisa e a reflexão, que contribuam com senso estético mais aprimorado, em oposição aos produtos enlatados. Em vez de fomentar a diversidade cultural e fortalecer as expressões locais, tem direcionado esforços para alimentar a chamada "indústria cultural", priorizando eventos de grande porte que reforçam a lógica da cultura de massa e do consumismo cultural.
Os grandes shows na Praça da Moça são o reflexo mais evidente dessa estratégia, que privilegia o espetáculo midiático em detrimento de um planejamento cultural que atenda efetivamente às necessidades da população. Além disso, esses eventos geram poluição sonora, perturbando o sossego dos moradores e dificultando o trabalho no entorno. Essas iniciativas, frequentemente utilizadas como "projeto palanque", buscam visibilidade política e acabam gerando um caos ainda maior no Centro da cidade, destruindo a possibilidade de um desenvolvimento cultural sustentável. Além disso, esses megaeventos sugam os recursos destinados aos Centros Culturais, que são os verdadeiros espaços da ação cultural. Em vez de receberem investimentos adequados para manutenção do equipamento, fomentar atividades permanentes, oficinas, apresentações e formação artística, os Centros Culturais ficam relegados a um segundo plano, enfraquecendo ainda mais a cultura de base e comunitária e de experimentação artística e estética.
Outro problema grave na atual gestão cultural é a ausência de concursos públicos para cargos na Secretaria de Cultura, impedindo que profissionais qualificados ingressem de forma justa no setor. Quando realizam concurso público, as vagas acabam sendo preechidas por apadrinhados políticos e não pelos que passaram nas provas. Além disso, a falta de um plano de carreira desestimula os servidores, impedindo o desenvolvimento profissional e a continuidade de políticas culturais eficientes e estruturadas.
É urgente que se substitua a fabricação cultural por uma verdadeira ação cultural, que promova a participação ativa da população na construção da identidade cultural da cidade. A fabricação cultural, impulsionada por essa lógica mercadológica, transforma a cultura em um produto de consumo imediato, esvaziado de suas raízes e do seu potencial de transformação social. Já a ação cultural valoriza a produção artística local, incentiva a pesquisa e a inovação e fomenta um envolvimento comunitário genuíno, além de capacitar profissionais na área. Em vez de concentrar investimentos em eventos de grande porte, é necessário fortalecer a infraestrutura cultural, apoiar coletivos artísticos, criando e custeando espaços permanentes de experimentação e troca de saberes.
Diante desse cenário, é fundamental que a população e os agentes culturais se mobilizem para exigir políticas públicas mais inclusivas e transparentes. A cultura deve ser compreendida como um direito e um instrumento de cidadania, e não como mera ferramenta de promoção política e comercial. Somente com uma gestão cultural democrática e participativa será possível garantir que as manifestações artísticas de Diadema reflitam, de fato, a riqueza e a diversidade de sua gente, com cidadãos conscientes e críticos.

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