Andava a população do mundo às voltas com a pandemia de sancomovírus. Depois de um ano de incertezas, a esperança da vacina para o flagelo era realidade! Desejava-se o remédio como quem deseja o Paraíso na Terra.
Em certo país, terra do barulho, da sujeira e da falta de educação, embora as contenções impostas tivessem, como tudo por lá, virado carnaval, não era menor a expectativa. Poderiam gozar mais à vontade, mesmo as reprimendas dos, ainda, zeladores do sossego, do asseio e da boa educação serem motivo de escárnio e de deboche.
Depois de anúncios em tom salvacionista, com os quais os políticos entravam em gozo e em êxtase e os fanáticos seguidores de partidos os imitavam, massa entorpecida, eis que os primeiros vacinados na terra do nazismo carnavalizado estampavam os seus rostos em fotos, nas redes sociais.
Oh, alegria! Oh, felicidade! Finalmente, a libertação! Os pancadões (estupro psicológico, físico, moral, econômico e espiritual), ativos durante toda a tragédia, multiplicaram-se para comemorarem. Os propaladores de ódio pelo presidente otário, repelindo o modo de cura único, vítima inocente da armadilha preparada pelo governador rival, faziam panelaços e estouravam rojões. Uma partida beneficente de futebol, entre o Lolinthians e o Paineiras, foi marcada, dentre outras.
Mas eis que, nove meses depois, descobriram o efeito colateral: a vacina esterilizou homens e mulheres.
(em processo, sem revisão)


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