Eram tantas as mazelas dos terráqueos, tantos eram os patéticos desejos e deveras eram os atos atabalhoados, que Satã, magnânimo, resolvera deixar de lado os caprichos imaginados pelos pobres humanos.
Mas, certo dia, viu-se nostálgico, com os sentidos um pouco mais apurados, por dedicar-se, novamente, depois de muitos anos ter abandonado a prática do jogo do xadrez.
Estando, assim, mais embevecido consigo, decidiu, por puro capricho, atender certo pedido de vender a alma, de um ser já seu antigo conhecido.
Em outros tempos, enganou-se com o potencial do candidato a rico, famoso e belo. Enganou-se por apresentar ele certos resquícios indispensáveis ao pacto. Mas, depois, como era tolo!
Não pode deixar, porém, de, naquele novo pedido, de agora, um senhor balofo, deformado e roto de dinheiro, por tantas chances desperdiçadas, ver uma certa graça.
Estava, ali, no balcão do bar, pronto para a live sobre pancadão, quando, de repente, em meio a sensações, propôs a Satã entregar o seu corpo, para usufruto e gozo.
Não era autêntico aquilo. Possuir seres era especialidade sua, em momentos mais específicos, para testar os exorcismos.
Atendeu, então, o desejo de antigo discípulo tonto. Usaria aquele corpo sem muitos atrativos. Quem sabe poderia ter um pouco de diversão!
Fazia muito, ele mesmo, ter se desiludido com os propósitos de Deus. A ponto de não ver mais graça em frustrar a criação.
Contentar-se-ia nessa mentira de brincadeira em ter o nome nos jornais, sair nos noticiários e receber olhares admirados.
Havia, porém, um conflito: o pobre diabo, com o perdão do trocadilho, era muito incrédulo, até mesmo para se manter esquecido, enquanto, ele, Satã, operasse o seu prodígio.
Como aguilhoar uma mente deverás resistente a um propósito tão digno?
Dez anos depois, vemos, nos canais de comunicação, o sucesso do acordo.
Aquele corpo, tão esculachado, tão estragado, serviu, perfeitamente, para provar que o Apocalipse estava errado.
(Satã. Psicografia de Maurício Menossi Flores)
(em processo, sem revisão)


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