terça-feira, 30 de setembro de 2025

Entre A Tragédia E A Mercadoria: A Favela Como Solução Deliberada No Brasil.

 


Entre A Tragédia E A Mercadoria: A Favela Como Solução Deliberada No Brasil.

Resumo

Este artigo analisa criticamente a recente tendência discursiva que transforma a favela de problema social em “solução potencial”, conforme veiculado por órgãos estatais e amplificado pela grande mídia. Argumenta-se que tal operação simbólica não se limita a uma disputa de narrativas, mas constitui um projeto deliberado de manutenção do povo em estado de embrutecimento, a fim de garantir lucros políticos, eleitorais e culturais. A insalubridade concreta da favela — marcada por barulho, sujeira, precariedade, violência difusa e ausência de direitos — é negada em nome da “Cultura Favela”, que vem sendo promovida como modelo cultural nacional, operando a favelização da vida brasileira.


Introdução

Historicamente, a favela foi tratada como um problema de política habitacional, saneamento e segurança. Contudo, o discurso oficial contemporâneo, reforçado por pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), passa a apresentá-la não mais como obstáculo, mas como “solução potencial” para o desenvolvimento social. Este deslocamento não é neutro: significa legitimar a precariedade como horizonte possível e transformá-la em mercadoria simbólica e política.


A Favela Concreta: Insalubridade e Opressão

A romantização das favelas contrasta com a experiência cotidiana dos moradores trabalhadores. O espaço urbano da favela é atravessado por problemas estruturais:

  • Barulho contínuo de pancadões, motocicletas e alto-falantes, que anulam o direito ao descanso e ao silêncio;

  • Sujeira e degradação ambiental, com esgoto a céu aberto, lixo acumulado e ausência de manutenção pública;

  • Pichações e marcas territoriais, que transformam a paisagem em registro da ausência de ordem pública;

  • Circulação de “bolinhos” de usuários de drogas em esquinas e vielas, criando atmosferas de medo e desconfiança;

  • Imposição violenta de estilos de vida que impedem a livre manifestação de insatisfação: o trabalhador não pode reclamar sem ser alvo de represália social ou física.

Trata-se, portanto, de um espaço de insalubridade planejada, em que o sofrimento é naturalizado e convertido em espetáculo cultural.


O Lucro Político da Tragédia

Por detrás das favelas, há uma rede de interesses políticos e econômicos. A precariedade urbana alimenta um ciclo de dependência:

  • Políticos e governos faturam com a administração da miséria, mantendo clientelas eleitorais cativas;

  • ONGs e entidades “sociais” captam recursos vultosos em nome da favela, mas atuam como meros intermediários financeiros;

  • Empresas e a grande mídia lucram com a estetização da pobreza, transformando sofrimento em narrativa publicitária e produto cultural.

A favela, assim, deixa de ser problema a ser superado e torna-se fonte inesgotável de capital simbólico e material para as elites que dela extraem lucro.


Cultura Favela: O Projeto de Favelização Nacional

A difusão da Cultura Favela constitui o eixo central deste processo. Mais do que retratar a realidade das periferias, trata-se de impor um padrão cultural hegemônico, que naturaliza a precariedade e glorifica comportamentos “over”, marcados pela ostentação ruidosa, pela desresponsabilização individual e pela recusa a qualquer avanço intelectual consequente.

Ao transformar a favela em “marca nacional”, dissemina-se a lógica da favelização da vida, na qual a população é condicionada a aceitar barulho, sujeira, desorganização e embrutecimento como elementos de identidade. A cultura, em vez de horizonte emancipatório, converte-se em dispositivo de opressão.


O Papel da Grande Mídia

Não se trata de falha política ou omissão estatal. O projeto é deliberado e tem como principal veículo a grande mídia, que vende a favela como espaço de criatividade, resistência e autenticidade, enquanto silencia sobre sua insalubridade objetiva. Este duplo discurso — romantização para consumo externo e ocultamento da miséria real — mantém o povo em estado de bestialização social, como denunciava Euclides da Cunha ao observar a manipulação das massas.


Conclusão

A elevação da favela à condição de “solução” revela um processo de inversão ideológica que transforma tragédia em mercadoria. O sofrimento diário do trabalhador é instrumentalizado por políticos, empresas e mídia, ao passo que a Cultura Favela cumpre a função de modelar subjetividades, anestesiando a capacidade crítica da população. Não se trata de erro, mas de estratégia. A favelização deliberada do Brasil é o instrumento pelo qual se garante a manutenção de uma sociedade embrutecida e facilmente manipulável.

sábado, 27 de setembro de 2025

Enchente, Inundação, Alagamento.

 


Enchente, Inundação, Alagamento.


1. Enchente

  • É o aumento natural do nível de um rio ou córrego, causado geralmente por chuvas intensas.

  • O rio ocupa toda a sua calha normal (o espaço por onde ele costuma correr).

  • Não há necessariamente transbordamento.

  • Exemplo: depois de uma semana de chuva, o rio sobe, mas ainda está dentro do leito.

2. Inundação

  • Ocorre quando o nível da água sobe tanto que ultrapassa a calha normal do rio, invadindo áreas marginais (as chamadas várzeas ou planícies de inundação).

  • É um fenômeno natural, muitas vezes previsível, pois esses terrenos já fazem parte do ciclo do rio.

  • Exemplo: o rio transborda e cobre plantações nas margens.

3. Alagamento

  • É o acúmulo de água em áreas urbanas, causado geralmente por falhas no sistema de drenagem, bueiros entupidos, solo impermeabilizado ou chuvas muito intensas.

  • Diferente da inundação, não depende de rios, mas do escoamento da água da chuva.

  • Exemplo: ruas de cidade ficam cheias de água porque os bueiros não dão conta.

👉 Resumindo:

  • Enchente = rio cheio, dentro da calha.

  • Inundação = rio transborda e ocupa áreas além da calha.

  • Alagamento = acúmulo de água da chuva em áreas urbanas, sem relação direta com rios.

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

“Showmício Disfarçado”: as manifestações contra a PEC da Blindagem como espetáculo político e a hipocrisia performativa da retórica “anticrime”.

 


“Showmício Disfarçado”: as manifestações contra a PEC da Blindagem como espetáculo político e a hipocrisia performativa da retórica “anticrime”.

Resumo (abstract)
Este artigo analisa criticamente as manifestações públicas convocadas contra a chamada PEC da Blindagem (também apelidada de PEC da Bandidagem) e a proposta de anistia a envolvidos nos atos do dia 8 de janeiro. Sustento que, em diversas capitais, os protestos assumiram traços de um showmício: presença de artistas consagrados, concentração de espetáculo musical como núcleo de atração e comunicação política dirigida. Argumento que tal forma performativa contém uma contradição — ou hipocrisia política — quando se proclama combate ao crime e à impunidade enquanto se vale de artifícios de espetáculo, de instrumentalização midiática e de alianças com atores políticos que, em alguns casos, defendem mudanças normativas que se posicionam contra a responsabilização. O texto combina levantamento documental de cobertura jornalística, enquadramento jurídico sobre vedação de showmícios na legislação eleitoral e análise crítica da prática política do espetáculo.

Palavras-chave: showmício; PEC da Blindagem; protesto político; espetáculo; retórica anticrime; hipocrisia política; legislação eleitoral.


1. Introdução

Entre setembro de 2025 diversas cidades brasileiras testemunharam grandes manifestações públicas contra o projeto apelidado de PEC da Blindagem (e contra proposta de anistia relacionada aos eventos do dia 8/1). Esses atos reuniram movimentos sociais, partidos de oposição, centrais sindicais e, de modo relevante para este estudo, artistas de grande visibilidade que subiram ao palco em atos de massa — por exemplo, apresentações que tiveram nomes como Gilberto Gil, Caetano Veloso e outros nas grandes concentrações. Tal conjunção entre política de protesto e plateia de espetáculo motiva a questão central deste artigo: até que ponto esses eventos operaram como um showmício — ou seja, um “comício com show” — e que implicações éticas e políticas advêm dessa forma? Observa-se que diversos relatos e imagens dão conta de clara centralidade do espetáculo musical na dinâmica do ato. Agência Brasil+1


2. Marco teórico e jurídico

2.1. Showmício: conceito e proibição legal (breve revisão)

No Brasil, o termo showmício designa eventos em que candidatos ou agentes políticos recorrem a apresentações artísticas para atrair público e promover candidatura ou propaganda eleitoral. A legislação eleitoral, via Lei n.º 9.504/1997 (Lei das Eleições) e alterações posteriores (notadamente a Lei n.º 11.300/2006), vedou a realização de showmícios em campanhas eleitorais; o entendimento do TSE também abrange a vedação a livemícios (lives com fins eleitorais). A doutrina e a jurisprudência discutem limites entre manifestação cultural livre e propaganda eleitoral em forma de espetáculo. Justiça Eleitoral+2Portal da Presidência da República+2

Observação jurídica importante: a vedação legal incide sobre campanhas eleitorais — ou seja, o cerne da norma é a proteção da isonomia do processo eleitoral. Manifestações espontâneas ou atos públicos de protesto que não constituam propaganda eleitoral, em termos estritos, podem não se enquadrar automaticamente na proibição. No entanto, quando uma mobilização tem claros objetivos políticos de influenciar decisões institucionais (ex.: aprovar/rejeitar emendas constitucionais) e mobiliza artistas como atrativo central, o fenômeno político-performativo se aproxima conceitualmente do showmício e suscita questionamentos éticos e práticos. Temas Selecionados

2.2. Teoria do espetáculo e política

Baseio a leitura crítica em autores que tratam da política como espetáculo (Debord e a Sociedade do Espetáculo; análises contemporâneas sobre mediatização do protesto), entendendo que a música e a cultura performativa podem funcionar como dispositivo de visibilidade, de criação de consenso e de neutralização crítica, ao transformar reivindicações políticas em eventos de entretenimento que, por vezes, deslocam o foco do conteúdo programático para a experiência sensorial do ato.


3. Metodologia

A pesquisa combina: (a) levantamento e leitura sistemática de reportagens nacionais sobre as manifestações de 21 de setembro de 2025 (cobertura de agências públicas e veículos jornalísticos); (b) análise documental da legislação eleitoral e notas do TSE sobre showmícios/livemícios; (c) descrição das imagens e organização dos atos a partir de registros públicos; e (d) análise crítica hermenêutica do discurso dos atores (artistas, líderes políticos e organizadores), cruzando as evidências com o arcabouço jurídico e teórico. Fontes jornalísticas consultadas incluem Agência Brasil (EBC), Poder360, Infomoney e reportagens correlatas que documentaram presença de artistas e amplo comparecimento. Agência Brasil+2Poder360+2


4. Descrição factual das manifestações (sumário empírico)

No dia 21 de setembro de 2025, atos contra a PEC da Blindagem ocorreram em ao menos 30 cidades, incluindo capitais como Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. As mobilizações foram convocadas por frentes e coalizões de esquerda e centro-esquerda, sindicatos e movimentos sociais; contabilizaram-se milhares de participantes em praças e avenidas e houve presença expressiva de artistas e de políticos em palcos e comícios. Em São Paulo, por exemplo, estimativas de área ocupada e contagem por institutos de monitoramento apontaram dezenas de milhares de pessoas na Avenida Paulista. Relatos e imagens de atos no Rio e em outras capitais registraram shows com nomes consagrados. Agência Brasil+2Poder360+2


5. Análise: por que a mobilização configura um showmício disfarçado?

A análise desenvolve-se em três eixos: (A) estrutura e logística do evento; (B) papel dos artistas e da música; (C) instrumentalidade política e ambivalências da retórica anticrime.

5.1. Estrutura e logística do evento — elementos de espetáculo

Observou-se nos atos grandes infraestruturas de palco, sonorização profissional e roteiros de palco que incluem intervenções musicais intercaladas com discursos políticos. Tais dispositivos cumprem a função de estender o tempo de permanência do público, maximizar a difusão audiovisual (imagens e lives) e criar momentos de alto impacto simbólico — exatamente as funções que, em campanha eleitoral, seriam típicas de um showmício. A presença de artistas famosos contribuiu para transformar a mobilização em evento cultural-político, ampliando seu alcance mediático e simbólico. Poder360+1

5.2. O papel dos artistas: mobilização simbólica e legitimação

A participação de artistas consagrados tem múltiplos efeitos: (1) atrai público que, sem perfil político ativista, comparece pela experiência cultural; (2) confere legitimidade simbólica ao conteúdo político; (3) produz imagens e fragmentos para redes sociais que viralizam. Enquanto, em contextos democráticos, o engajamento cultural é legítimo, no caso brasileiro recente esses atos reuniram uma receita conhecida: usar a cultura como «âncora de atenção» para pautas políticas. Quando artistas assumem papel central (cabeças de cartaz), o evento deixa de ser apenas um protesto de rua e aproxima-se formalmente do showmício. Evidências empíricas da presença de personalidades da música e da sequência de apresentações nas capitais sustentam essa leitura. Agência Brasil+1

5.3. Instrumentalidade política: espetáculo e mensagem

A centralidade do espetáculo pode repercutir de duas maneiras contraditórias: por um lado, aumenta a visibilidade da mensagem democratica contra retrocessos; por outro, desloca o debate substantivo (argumentos jurídicos sobre a PEC, implicações institucionais) para um registro emotivo e performativo. Aqui reside a acusação de “hipocrisia” que analisamos: as lideranças discursam contra a impunidade e em favor da responsabilização, mas ao instrumentalizar o entretenimento político (e às vezes negociar aparições e narrativas midiáticas) reproduzem práticas de espetáculo que, historicamente, naturalizam relações clientelistas e opacas entre arte, política e poder — práticas que, em outro campo, poderiam ser descritas como permissivas em relação ao uso instrumental de bens culturais para fins políticos.


6. A hipocrisia performativa: “fala contra o crime, praticando práticas que fragilizam a responsabilização”

6.1. Hipocrisia retórica versus acusação legal

Importa distinguir entre hipocrisia política (contradição entre discurso moralizante e práticas) e acusação de crime: eu sustento a primeira — observando a natureza teatral e instrumental do evento — e não faço, sem prova contundente, afirmação de crime. Há, porém, uma tensão normativa: movimentos que clamam por mais responsabilização e rigor jurídico devem estar atentos às práticas de mobilização que naturalizam composições com atores políticos e culturais e com formas de financiamento que obscurecem a transparência. Quando a mobilização incorpora técnicas de persuasão de massa (estrelas, espetáculo, narrativa unificadora), cria-se um campo fértil para captura simbólica e distorção do debate público. Temas Selecionados+1

6.2. Exemplos concretos de contradição

  • Ato com forte componente musical que clama por responsabilização de políticos pode, paradoxalmente, reforçar lideranças carismáticas que atuam por fora de canais deliberativos — o que reduz a capacidade de formulação técnica de políticas e favorece soluções simbólicas. (Evidências da centralidade do espetáculo: cobertura de agências e jornais.) Poder360+1

  • A viralização de imagens de show em praça pública tende a personalizar o conflito (heróis vs. vilões), simplificando análises jurídicas complexas e deslocando a deliberação para a arena mediática. (Discussões sobre mediatização do protesto no Brasil em 2025.) InfoMoney


7. Limitações, ressalvas e cuidado metodológico

  1. Diferença entre ato político e propaganda eleitoral: A vedação a showmícios está centrada na legislação eleitoral; atos de protesto fora de calendário eleitoral não são automaticamente equiparados a showmícios ilegais. Minha análise insere-se, portanto, principalmente em chave crítica e sociológica (hipótese do espetáculo), não em conclusão jurídica sobre ilicitude. Justiça Eleitoral+1

  2. Provas sobre financiamento e acordos: Para imputar irregularidade (p.ex. pagamento de cachês com fontes ilícitas, coordenação financeira oculta), seriam necessárias auditorias e documentos que não estão públicos neste levantamento. O artigo evita alegações penais sem comprovação documental.

  3. Seleção de fontes: Utilizei reportagens, comunicados e documentos públicos; reconheço vieses possíveis nos meios e na cobertura fotográfica/televisiva. A interpretação aqui proposta é de natureza crítico-teórica e argumentativa, sustentada por evidências observáveis, mas passível de outro enquadramento por pesquisadores de outra matriz teórica.


8. Conclusões e recomendações

8.1. Conclusões

  • As mobilizações contra a PEC da Blindagem, em 21 de setembro de 2025, reuniram elementos típicos de espetáculo (palcos, artistas consagrados, roteiros de shows) que convergiram para transformar parte do protesto em um evento cultural de massa — isto é, em showmício de fato, mesmo que não se trate formalmente de propaganda eleitoral nos termos estritos da lei. Agência Brasil+1

  • Essa forma de mobilização contém uma contradição política: enquanto se exige responsabilização e combate ao crime, a retórica e a prática do espetáculo podem reproduzir opacidades e dinâmicas de legitimidade personalista que fragilizam o debate técnico-institucional. Tal contradição é denunciável como hipocrisia política quando as lideranças não enfrentam também suas próprias práticas de espetáculo e de instrumentalização cultural.

  • No plano jurídico, não há, sem provas adicionais, elemento suficiente para afirmar ilicitude automática dos atos (a vedação legal a showmícios aplica-se sobretudo ao contexto eleitoral). No entanto, do ponto de vista democrático, é legítimo exigir maior transparência sobre financiamento, organização e objetivos estratégicos de atos políticos que assumem formato de espetáculo.

8.2. Recomendações práticas

  • Organizações civis e veículos de imprensa deveriam mapear financiamento e logística dos grandes atos políticos com artistas, para aumentar transparência.

  • Movimentos favoráveis à responsabilização devem articular canais informativos e debates técnicos (mesas temáticas, cadernos de propostas) que coexistam com a visibilidade do ato-espetáculo, evitando que a estética sufoque o conteúdo.

  • O Judiciário e órgãos eleitorais poderiam emitir orientações sobre a linha que separa manifestação cultural legítima de prática que distorce competição democrática, sem tolher liberdade de expressão.


9. Referências (seleção)

  • Agência Brasil / EBC, “Multidões ocupam capitais contra anistia e PEC da Blindagem” (cobertura das mobilizações de 21/09/2025). Agência Brasil

  • Poder360, “Esquerda reúne 43.400 pessoas em São Paulo contra PEC da Blindagem” (reportagem e estimativas sobre Paulista). Poder360

  • Poder360, “Brasileiros no exterior protestam contra PEC da Blindagem...” (cobertura internacional). Poder360

  • Infomoney, “Atos contra PEC da Blindagem e anistia acontecem hoje em SP...” (relato de atos em várias capitais). InfoMoney

  • Lei n.º 9.504/1997 (Lei das Eleições) e Lei n.º 11.300/2006 (alterações sobre propaganda e vedação de showmícios). (Planalto / TSE). Justiça Eleitoral+1

  • TSE — temas selecionados: comício / showmício e a interpretação sobre livemícios. Temas Selecionados

sábado, 20 de setembro de 2025

Centro, Entradas e Saídas e Espaços Culturais de Diadema: Uma Abordagem Crítica e Holística. (Em Processo...)


Centro, Entradas e Saídas e Espaços Culturais de Diadema: Uma Abordagem Crítica e Holística. (Em Processo...)


Justificativa

Diadema, enquanto município estratégico na região metropolitana de São Paulo, apresenta fluxos urbanos e culturais complexos, com entradas e saídas que conectam a cidade ao seu entorno, influenciando diretamente o acesso à cultura e a circulação de bens simbólicos. Os Centros Culturais do município, embora estruturados para atender à população, muitas vezes reproduzem o que se pode caracterizar como Projeto Palanque: uma fabricação cultural que privilegia eventos de grande escala, pautados por indústria cultural, consumismo simbólico e programação de massa — o chamado “pão e circo”.

Diante desse cenário, há necessidade de um olhar crítico que articule geografia urbana, circulação cultural e ecologia simbólica, considerando tanto os fluxos físicos da cidade quanto a circulação de ideias, práticas artísticas e saberes populares. O projeto propõe mapear, experimentar e propor intervenções nos espaços de Diadema — entradas, saídas, Centro e Centros Culturais — para criar uma compreensão holística e crítica da vida cultural local, potencializando experiências sensíveis e reflexivas sobre o papel da cultura na cidade.


Objetivos

Objetivo geral:
Investigar e propor práticas artísticas que revelem as intersecções entre fluxos urbanos, espaços culturais e políticas de indústria cultural em Diadema, com abordagem crítica e holística.

Objetivos específicos:

  1. Mapear as entradas, saídas e fluxo cultural do Centro de Diadema e dos Centros Culturais do município;

  2. Analisar criticamente a programação e os mecanismos de produção cultural nos espaços públicos, evidenciando efeitos de fabricação cultural e consumo de massa;

  3. Criar intervenções artísticas e performativas que dialoguem com a geografia urbana, os espaços de circulação e os Centros Culturais, aproximando o público da experiência crítica da cultura;

  4. Fomentar participação cidadã e engajamento da comunidade, estimulando reflexão sobre as práticas culturais locais e alternativas de produção artística independente;

  5. Produzir registros e materiais de documentação (fotográficos, audiovisuais e textuais) que possam servir como instrumento de crítica e reflexão cultural.


Metodologia

  1. Mapeamento Geográfico e Cultural:

    • Levantamento das entradas e saídas de Diadema (vias de acesso principais, transporte público, fluxos de circulação de pessoas e mercadorias).

    • Identificação e estudo dos Centros Culturais e pontos de convergência cultural, analisando programação, público e circulação simbólica.

  2. Análise Crítica da Produção Cultural:

    • Observação e registro de eventos culturais promovidos pela Secretaria de Cultura, identificando elementos de indústria cultural, consumo de massa e “pão e circo”.

    • Entrevistas com artistas locais, gestores culturais e público frequentador para compreensão das práticas culturais e percepções da comunidade.

  3. Intervenções Artísticas e Experimentação:

    • Criação de ações performativas e instalações em pontos estratégicos (entradas da cidade, Centro e Centros Culturais) que dialoguem com a circulação urbana e cultural.

    • Uso de linguagens múltiplas: artes visuais, instalação sonora, performance, cartografia artística e mediação participativa.

  4. Documentação e Divulgação:

    • Registro fotográfico, audiovisual e textual das intervenções e percursos urbanos.

    • Produção de um mapa crítico interativo da circulação cultural de Diadema, disponível para a comunidade e para futuras análises acadêmicas ou artísticas.


Resultados Esperados

  • Mapeamento crítico das entradas, saídas e centros culturais de Diadema, incluindo circulação simbólica e física;

  • Diagnóstico da relação entre programação cultural e indústria cultural local;

  • Criação de intervenções artísticas que estimulem percepção crítica e participação do público;

  • Produção de materiais documentais que permitam reflexão sobre políticas culturais e práticas de consumo simbólico;

  • Contribuição para estratégias de democratização e diversificação da produção artística em Diadema.


Referências Teóricas e Conceituais

  • Adorno, T. & Horkheimer, M. — Dialética do Esclarecimento: crítica à indústria cultural;

  • Lefebvre, H. — A Produção do Espaço: geografia urbana e sociabilidade;

  • Menossi Flores, M. — pesquisas sobre crítica à Indústria Cultural e Projeto Palanque em Diadema;

  • Bourdieu, P. — A Distinção: relações entre consumo simbólico e cultura de massa;

  • Harvey, D. — estudos de urbanismo e fluxo urbano;

  • Estudos sobre políticas culturais municipais e democratização da cultura.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Aprendizado Durante o Sono, Companhia de Bons Espíritos e Acúmulo de Experiência Para Reencarnação Mais Propícia.

 



Aprendizado Durante o Sono, Companhia de Bons Espíritos e Acúmulo de Experiência Para Reencarnação Mais Propícia. 

Resumo

O presente artigo desenvolve um tripé conceitual que articula o sono como espaço de aprendizado espiritual, a fixação em bons pensamentos como meio de aproximação com entidades afins e o aprimoramento moral como preparação para futuras existências, dentro da hipótese Espírita. A investigação considera tanto o estado de sono quanto a vigília, apontando para uma integração entre repouso físico, formação ética e espiritualidade. Apoia-se em Allan Kardec, Emmanuel, André Luiz, bem como em contribuições da psicologia e da filosofia contemporânea.

Introdução

O sono sempre foi objeto de reflexões filosóficas, espirituais e científicas. Enquanto a neurociência enfatiza os processos de consolidação da memória e de regeneração neuronal durante o repouso (Diekelmann & Born, 2010), o Espiritismo propõe uma dimensão mais ampla, na qual o espírito, desprendido parcialmente do corpo, pode instruir-se e conviver em outros planos de existência (Kardec, 1861/2013).

Neste artigo, desenvolve-se um tripé conceitual que envolve: (1) dormir com a consciência da possibilidade de aprendizado espiritual durante o sono; (2) fixar-se em bons pensamentos como meio de atrair companhias espirituais favoráveis; (3) aprimorar-se moralmente, mesmo em idade avançada, visando uma reencarnação mais propícia. Além disso, discute-se como tais elementos se aplicam também à vigília, de modo a estabelecer um eixo contínuo de evolução espiritual e ética.

1. O sono como espaço de aprendizado espiritual

Segundo O Livro dos Espíritos, durante o sono “a alma jamais está inativa; ela aproveita o repouso do corpo para se instruir na vida espiritual” (Kardec, 1857/2013, questão 402). Este entendimento introduz a hipótese de que o sono pode transcender a função biológica, assumindo papel pedagógico. Emmanuel, em Fonte Viva, reforça a ideia de que o descanso noturno é oportunidade de "renovação das forças e retificação dos rumos íntimos" (Emmanuel, 1956/2010).

Na psicologia, a metáfora do sono como “laboratório de ensaio” (Freud, 1900/2019) encontra eco na visão espírita: o inconsciente, ao elaborar sonhos, pode expressar conteúdos que, em uma ótica espiritualista, também se vinculam a experiências em outra dimensão.

2. A fixação em bons pensamentos como chave de sintonia

A segunda base do tripé refere-se à necessidade de cultivar pensamentos elevados. Kardec (1861/2013), em O Livro dos Médiuns, observa que “os Espíritos se ligam aos homens em razão de suas simpatias ou de seus pensamentos habituais”. Assim, o direcionamento mental é chave para estabelecer afinidades.

Na vigília, essa prática equivale à disciplina mental, já destacada por William James (1890/2012), que descreveu a atenção como “a posse da mente, de forma clara e vívida, de um entre vários objetos possíveis”. Na hipótese Espírita, essa disciplina amplia-se para além do psicológico: trata-se de abrir-se ao influxo dos chamados “bons espíritos”, cujas inspirações podem ser decisivas para a vida prática.

3. O aprimoramento moral e a preparação para novas existências

O terceiro ponto do tripé refere-se ao esforço contínuo de autotransformação. Kardec (1857/2013, questão 919) ensina que “o meio mais eficaz de se melhorar nesta vida é examinar a própria consciência”. Emmanuel (1954/2010), em Pensamento e Vida, insiste que cada dia oferece campo para semeadura moral, independentemente da idade.

Mesmo no final da existência, a busca por virtudes prepara não apenas para a morte, mas para futuras encarnações, segundo a lei de progresso. Como observa André Luiz (1944/2010) em Nosso Lar, “ninguém retrocede na marcha evolutiva; a cada esforço, acrescentamos conquistas perenes ao patrimônio da alma”.

4. Integração do tripé na vigília e no sono

O tripé só adquire pleno sentido quando se considera a continuidade entre vigília e sono. Dormir em paz requer vigiar em paz: bons pensamentos e atos no estado desperto favorecem encontros e instruções mais elevados durante o repouso.

A noção espírita dialoga com a filosofia existencial de Viktor Frankl (1946/2011), que acentua a busca de sentido em cada instante. Tanto no trabalho quanto no repouso, o espírito humano é chamado a realizar uma obra de si mesmo.

Assim, vigília e sono não são momentos estanques, mas etapas complementares de um mesmo processo de educação integral: a vigília consolida e aplica as lições; o sono amplia o horizonte e aprofunda a formação.

Conclusão

O tripé conceitual aqui desenvolvido oferece um eixo metodológico de reflexão sobre a vida humana sob a hipótese Espírita. Dormir com a consciência de aprendizado espiritual, cultivar bons pensamentos e aprimorar-se moralmente são práticas que transcendem o repouso noturno, alcançando também a vigília. Integrados, tais elementos configuram um projeto de vida contínuo, que valoriza tanto o presente quanto o futuro espiritual.

Referências

  • Diekelmann, S., & Born, J. (2010). The memory function of sleep. Nature Reviews Neuroscience, 11(2), 114–126.

  • Emmanuel. (1954/2010). Pensamento e Vida. FEB.

  • Emmanuel. (1956/2010). Fonte Viva. FEB.

  • Frankl, V. (1946/2011). Em busca de sentido. Vozes.

  • Freud, S. (1900/2019). A interpretação dos sonhos. Companhia das Letras.

  • James, W. (1890/2012). The Principles of Psychology. Dover.

  • Kardec, A. (1857/2013). O Livro dos Espíritos. FEB.

  • Kardec, A. (1861/2013). O Livro dos Médiuns. FEB.

  • Luiz, A. (1944/2010). Nosso Lar. FEB.

A Oração (Prece, Reza) No Teatro.

A Oração (Prece, Reza) No Teatro. Quem inventou a oração, a prece, a reza? A oração não foi “inventada” por uma única pessoa. Ela surgiu de ...