O Escapismo de Certos Brasileiros Ignorando Latrocínios e Enfatizando Guerras no Exterior.
Nos últimos anos, o Brasil tem registrado números alarmantes de mortes provocadas por criminosos durante assaltos. Embora a taxa geral de homicídios tenha apresentado queda, os latrocínios — roubo seguido de morte — permanecem como um grave problema social, ceifando centenas de vidas a cada ano.
De acordo com o Mapa da Segurança Pública 2025, somente em 2024 ocorreram 956 casos de latrocínio em todo o território nacional. No ano anterior, foram 972 vítimas fatais nessas circunstâncias. Esses números significam que, em média, quase três pessoas por dia perderam a vida no Brasil apenas por estarem no lugar errado, na hora errada, diante da ação de criminosos armados.
O dado é ainda mais perturbador quando lembramos que cada número representa uma história interrompida: trabalhadores no trajeto para casa, comerciantes, pais, mães, jovens que sequer tiveram tempo de reagir. São mortes que raramente ganham manchetes prolongadas, muitas vezes tratadas como estatística rotineira.
Enquanto isso, parte significativa da atenção pública e midiática se volta para conflitos armados no exterior. Tragédias em zonas de guerra, embora mereçam cobertura, recebem um espaço desproporcional se comparadas à violência cotidiana que vitima brasileiros todos os dias. Essa disparidade na percepção pode ser entendida como uma forma de escapismo social: é mais fácil lamentar uma tragédia distante do que encarar a insegurança que se manifesta na porta de casa.
O efeito prático desse descompasso é preocupante. A comoção seletiva fragiliza o debate sobre políticas de segurança pública e enfraquece a pressão por soluções estruturais. A violência urbana, ao ser naturalizada, perde a capacidade de indignar — e isso beneficia apenas aqueles que lucram com a impunidade.
Ao mesmo tempo em que o Brasil chora pelos horrores de conflitos estrangeiros, é urgente reconhecer que existe, aqui, uma guerra não declarada contra cidadãos indefesos. As mortes em assaltos não podem continuar relegadas às páginas policiais sem provocar um debate nacional à altura da gravidade do problema. Reconhecer e discutir essa realidade é o primeiro passo para que vidas deixem de ser apenas mais um número na contabilidade da violência.

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