terça-feira, 6 de maio de 2025

Um Estudo Sobre Adaptações de Textos Teatrais Para o Cinema.



Um Estudo Sobre Adaptações de Textos Teatrais Para o Cinema.


Filmes como "A Baleia" e "A Voz Suprema do Blues" (títulos em português) são de textos de teatro. Você poderia me fornecer uma lista de filmes recentes e antigos que sejam de textos de teatro?

O ChatGPT disse:

Claro! Há muitos filmes, tanto antigos quanto recentes, adaptados de textos teatrais. Eles costumam preservar a força dos diálogos e a intensidade dramática das peças originais. Aqui vai uma lista dividida por filmes recentes (dos anos 2000 em diante) e filmes clássicos/mais antigos, todos baseados em peças de teatro:


🎬 Filmes Recentes (2000 em diante)

  1. A Baleia (The Whale, 2022) – de Samuel D. Hunter

  2. A Voz Suprema do Blues (Ma Rainey's Black Bottom, 2020) – de August Wilson

  3. Fences (Um Limite Entre Nós, 2016) – de August Wilson

  4. Os Sete Maridos de Evelyn Hugo (ainda não lançado, previsto) – de Taylor Jenkins Reid (originalmente um romance, mas com estrutura próxima ao monólogo teatral)

  5. Carnage (Deus da Carnificina, 2011) – de Yasmina Reza

  6. Closer: Perto Demais (2004) – de Patrick Marber

  7. Dúvida (Doubt, 2008) – de John Patrick Shanley

  8. Entre Quatro Paredes (The Room, 2003) – inspirado em dramaturgia minimalista, com atmosfera teatral

  9. O Pai (The Father, 2020) – de Florian Zeller

  10. A Filha Perdida (The Lost Daughter, 2021) – ainda que baseado num romance, tem estrutura dramática muito próxima ao teatro

  11. The Sunset Limited (2011) – de Cormac McCarthy (filme todo em um diálogo entre dois personagens)

  12. A Festa (The Party, 2017) – de Sally Potter (original, mas com estrutura cênica claramente teatral)


🎥 Filmes Clássicos e Mais Antigos

  1. Quem Tem Medo de Virginia Woolf? (1966) – de Edward Albee

  2. Um Bonde Chamado Desejo (1951) – de Tennessee Williams

  3. Gata em Teto de Zinco Quente (1958) – de Tennessee Williams

  4. A Longa Viagem Noite Adentro (1962) – de Eugene O'Neill

  5. O Mercador de Veneza (2004) – de William Shakespeare

  6. Hamlet (várias versões, destaque para 1996 de Kenneth Branagh) – de William Shakespeare

  7. Ricardo III (1995) – de Shakespeare, adaptado por Ian McKellen para um cenário de guerra mais moderno

  8. César Deve Morrer (2012) – sobre prisioneiros encenando Júlio César, de Shakespeare

  9. Amadeus (1984) – de Peter Shaffer

  10. O Homem Elefante (1980) – adaptado de peça teatral de Bernard Pomerance

  11. 12 Homens e uma Sentença (1957) – de Reginald Rose

  12. Camas Separadas (Separate Tables, 1958) – de Terence Rattigan


Esses filmes geralmente se destacam por:

  • poucos personagens centrais,

  • cenários limitados,

  • diálogos intensos e longos,

  • foco no conflito psicológico e moral.

Deseja uma lista apenas com filmes disponíveis em plataformas de streaming ou algum critério específico (monólogos, Shakespeare, cinema brasileiro etc.)?

Você disse:
Quero uma lista vasta.
O ChatGPT disse:

Perfeito! Aqui está uma lista vasta de filmes baseados em peças de teatro, organizados por autor teatral ou obra marcante, com destaque para os mais conhecidos e premiados. Incluí adaptações de diversos estilos, períodos e países:


🎭 Filmes Baseados em Peças de Teatro – Lista Ampliada


📚 Autores Clássicos - Shakespeare

  1. Hamlet (1948 – Laurence Olivier, 1990 – Franco Zeffirelli, 1996 – Kenneth Branagh, 2000 – Ethan Hawke)

  2. Macbeth (1971 – Roman Polanski, 2010 – Patrick Stewart, 2015 – Michael Fassbender)

  3. Otelo (1952, 1995 – com Laurence Fishburne)

  4. Rei Lear (1971 – Peter Brook, 1983 – Laurence Olivier, 2018 – Anthony Hopkins)

  5. Romeu e Julieta (1968 – Franco Zeffirelli, 1996 – Baz Luhrmann)

  6. Muito Barulho por Nada (1993 – Kenneth Branagh)

  7. Sonho de uma Noite de Verão (1999 – com Michelle Pfeiffer)

  8. Ricardo III (1995 – Ian McKellen)

  9. O Mercador de Veneza (2004 – Al Pacino)

  10. Henrique V (1989 – Kenneth Branagh)


🇺🇸 Autores Americanos – Realismo e Pós-Guerra

Tennessee Williams

  1. Um Bonde Chamado Desejo (1951 – Elia Kazan)

  2. Gata em Teto de Zinco Quente (1958)

  3. Doce Pássaro da Juventude (1962)

  4. Verão e Fumaça (1961)

  5. De Repente, no Último Verão (1959)

Arthur Miller

  1. Morte de um Caixeiro Viajante (1985 – Dustin Hoffman, 1999 – Brian Dennehy)

  2. As Bruxas de Salém (1957 e 1996 – Daniel Day-Lewis e Winona Ryder)

  3. Panorama Visto da Ponte (2005 – Anthony LaPaglia em versão filmada para TV)

Eugene O’Neill

  1. Longa Jornada Noite Adentro (1962, 1973, 1987 – várias versões)

  2. O Imperador Jones (1933)

  3. Desejo Sob os Ulmeiros (1958)

August Wilson

  1. Fences (2016 – Denzel Washington)

  2. A Voz Suprema do Blues (2020 – Chadwick Boseman, Viola Davis)

  3. The Piano Lesson (1995 – TV, e remake em 2023 anunciado)


🎭 Peças Modernas e Contemporâneas (Diversos Autores)

  1. A Baleia (The Whale) – Samuel D. Hunter

  2. Dúvida (Doubt) – John Patrick Shanley

  3. Carnage (Deus da Carnificina) – Yasmina Reza

  4. Closer: Perto Demais – Patrick Marber

  5. O Pai (The Father) – Florian Zeller

  6. A Mãe (The Mother) – Florian Zeller

  7. The Sunset Limited – Cormac McCarthy

  8. Bug – Medo Real (2006) – Tracy Letts

  9. Killer Joe (2011) – Tracy Letts

  10. August: Osage County (Álbum de Família) (2013) – Tracy Letts

  11. Amadeus (1984) – Peter Shaffer

  12. Equus (1977) – Peter Shaffer

  13. Frost/Nixon (2008) – Peter Morgan

  14. Entre Quatro Paredes (The Room) – Adaptado da peça de Harold Pinter (e também de obras inspiradas)

  15. A Festa (The Party) – Sally Potter

  16. O Anjo Exterminador (1962) – estrutura teatral baseada na peça de José Bergamín (influência)


🎞️ Obras com Diálogo Teatral Marcante (Cinema com Alma de Palco)

  1. 12 Homens e uma Sentença (1957) – Reginald Rose

  2. My Dinner with Andre (1981) – Wallace Shawn & André Gregory

  3. Antes do Amanhecer / Pôr do Sol / Meia-Noite – Richard Linklater (estrutura dramatúrgica com foco no diálogo)

  4. Noites de Cabíria (1957) – embora não peça, segue lógica teatral

  5. O Homem Elefante (1980) – Bernard Pomerance

  6. Wit (A Última Palavra) (2001) – Margaret Edson

  7. Tape (2001) – Richard Linklater, todo em um único quarto de hotel

  8. Oleanna (1994) – David Mamet

  9. Glengarry Glen Ross (1992) – David Mamet

  10. American Buffalo (1996) – David Mamet


🎭 Teatro Filmado ou Transposto com Padrão Teatral

  1. Angels in America (2003 – minissérie da HBO) – Tony Kushner

  2. Hamilton (2020 – Disney+) – Lin-Manuel Miranda

  3. A Streetcar Named Desire (TV – 1995) – com Alec Baldwin

  4. King Lear (2018 – produção da BBC com Anthony Hopkins)

  5. César Deve Morrer (2012) – Taviani, presos encenam Júlio César


🇧🇷 Cinema Brasileiro com Base Teatral

  1. O Auto da Compadecida (2000) – Ariano Suassuna

  2. Bonitinha, mas Ordinária (1981, 2013) – Nelson Rodrigues

  3. Toda Nudez Será Castigada (1973) – Nelson Rodrigues

  4. Vestido de Noiva (1983) – Nelson Rodrigues

  5. Navalha na Carne (1969, 1997) – Plínio Marcos

  6. Dois Perdidos Numa Noite Suja (2002) – Plínio Marcos

  7. As Filhas do Fogo (1978) – baseada em peças de teatro e dramatizações

  8. O Abajur Lilás (TV – Plínio Marcos)


Se quiser, posso gerar uma planilha com esses filmes, datas, autores e links para trailers ou plataformas. Deseja isso?

2/2
Você disse:
Quero que aprofunde um pouco mais a análise desse tipo de filme.
O ChatGPT disse:

Claro. Vamos aprofundar a análise dos filmes adaptados de peças de teatro, explorando suas características formais, temáticas, estéticas e seus efeitos no espectador, bem como as razões pelas quais esse tipo de adaptação continua relevante — mesmo na era do cinema digital e dos blockbusters.


🎭 FILMES ADAPTADOS DE TEXTOS TEATRAIS – UMA ANÁLISE CRÍTICA

1. Origem e estrutura teatral: o espaço fechado e o tempo concentrado

As peças de teatro são, por natureza, econômicas em espaço e tempo. A maioria das dramaturgias clássicas e modernas respeita a unidade de lugar, tempo e ação. Isso impacta diretamente a forma dos filmes que delas derivam:

  • Cenários limitados: muitos desses filmes se passam em um único ambiente (ex: The Sunset Limited, Carnage, Tape), o que favorece uma atmosfera opressiva ou introspectiva.

  • Ação contida: os eventos mais importantes são muitas vezes internos ou relatados, não mostrados. O foco é psicológico e verbal.

  • Tempo real ou comprimido: diferentemente do cinema convencional, que pode abranger décadas, esses filmes costumam se passar em poucas horas ou em um só dia.

Isso exige do espectador uma atenção redobrada aos diálogos e aos gestos mínimos, pois neles está o centro do conflito.


2. Atuação: o ator como núcleo dramático

Como no teatro, o ator carrega o peso do filme:

  • Muitos desses filmes oferecem atuações premiadas: A Baleia (Brendan Fraser), A Voz Suprema do Blues (Viola Davis, Chadwick Boseman), Fences (Viola Davis, Denzel Washington).

  • Os papéis são densos, com camadas psicológicas e emocionais, exigindo técnica e intensidade.

  • Há uma forte presença do monólogo ou do embate verbal, muitas vezes substituindo a ação tradicional do cinema por duelos de palavras.

O resultado são personagens profundamente humanos, muitas vezes mais complexos do que os encontrados em narrativas puramente cinematográficas.


3. Temas recorrentes: culpa, verdade, identidade, opressão

Por se originarem no palco — onde a palavra é o principal veículo — essas obras tendem a explorar conflitos morais, existenciais e sociais. Exemplos:

  • Culpa e perdão: Doubt, O Pai, A Baleia, Wit

  • Identidade e alteridade: O Mercador de Veneza, Hamlet, Equus, Ma Rainey’s Black Bottom

  • Conflitos sociais e raciais: Fences, Ma Rainey, As Bruxas de Salém

  • Conflito de classes e poder: 12 Homens e uma Sentença, Angels in America, Glengarry Glen Ross

Essas narrativas funcionam como câmaras de pressão moral, onde os personagens são confrontados com suas próprias contradições, preconceitos e traumas.


4. Estilo cinematográfico: teatralidade deliberada ou estilização adaptativa

Existem dois caminhos principais nas adaptações:

a) Manter a teatralidade original

Filmes como Carnage, The Sunset Limited e The Father adotam um estilo contido, com enquadramentos fixos ou discretos, poucos cortes e ênfase nos diálogos. É uma opção que valoriza o texto e a atuação acima da ação.

b) Cinema como expansão do teatro

Outros cineastas optam por "cinematografar" a peça, usando recursos do cinema para tornar o drama mais visual e dinâmico:

  • Romeu + Julieta (1996) mistura Shakespeare com MTV.

  • O Mercador de Veneza (2004) transforma o texto em uma experiência visual renascentista.

  • Amadeus (1984) usa a linguagem do flashback e da narração, ampliando a peça original.

Ambos os estilos têm méritos: o primeiro valoriza o caráter existencial e literário da peça; o segundo a torna acessível a públicos mais amplos.


5. Por que continuam sendo adaptadas?

  • Atualidade dos temas: obras como As Bruxas de Salém falam de histerias coletivas; Fences denuncia o racismo estrutural; O Pai lida com o Alzheimer — todos temas profundamente atuais.

  • Força da linguagem: os grandes textos teatrais têm diálogos que resistem ao tempo.

  • Prestígio artístico: muitos atores e diretores veem nesses filmes uma oportunidade de demonstrar talento e profundidade, e as premiações valorizam isso.


6. O público e o impacto: filmes para pensar e sentir

Esse tipo de filme se opõe ao modelo de consumo rápido da Indústria Cultural. Em vez de oferecer espetáculo, oferece intensidade. Em vez de fuga da realidade, oferece confronto com a realidade interna ou social. São filmes mais densos, exigentes e, por isso mesmo, transformadores.


Se quiser, posso agora organizar essa análise em formato de artigo para publicação ou estudo, incluindo referências teóricas (Brecht, Stanislavski, Barthes, Adorno, Politzer etc.) e exemplos comparativos com outras formas narrativas. Você gostaria disso?

Você disse:
Sim, faça isso.

FILMES ADAPTADOS DE TEXTOS TEATRAIS: UMA ANÁLISE CRÍTICA SOBRE A LINGUAGEM, O IMPACTO E A ATUALIDADE

Introdução

Em pleno século XXI, enquanto o cinema comercial aposta em franquias, efeitos digitais e narrativas aceleradas, uma parcela significativa da produção cinematográfica continua voltando-se para uma fonte clássica e aparentemente contracultural: o teatro. Filmes como A Baleia (2022), A Voz Suprema do Blues (2020), Fences (2016) e Carnage (2011) são exemplos de obras que, baseadas em textos teatrais, reafirmam a potência da palavra, da atuação e do conflito humano como centros do drama. Este artigo busca analisar as características formais, temáticas e estéticas desses filmes, bem como os motivos de sua permanência e relevância em tempos de espetáculo midiático e consumo cultural raso.

1. Origem e estrutura teatral: o espaço fechado e o tempo concentrado

As peças de teatro, em sua maioria, respeitam ou se organizam em torno das unidades aristotélicas de ação, tempo e lugar. Essas restrições estruturais produzem filmes que se destacam por:

  • Cenários limitados, com forte presença de ambientes únicos ou claustrofóbicos (ex: The Sunset Limited, Tape, The Father).

  • Conflito concentrado, em que o essencial é dito, mais do que mostrado.

  • Tempo comprimido, muitas vezes limitado a poucas horas ou um dia, criando intensidade e urgência.

Tais características, longe de empobrecer a narrativa, geram profundidade psicológica e foco dramático.

2. O ator como núcleo do drama

Ao herdar a centralidade do ator no teatro, esses filmes valorizam a atuação como ferramenta primária de comunicação emocional e simbólica. Muitas dessas obras renderam prêmios e consagração crítica:

  • Brendan Fraser em A Baleia (Oscar 2023)

  • Viola Davis e Denzel Washington em Fences

  • Chadwick Boseman em Ma Rainey’s Black Bottom

Esses personagens têm densidade, monólogos potentes e são movidos por conflitos morais e afetivos, mais do que por ações externas.

3. Temas recorrentes: verdade, culpa, identidade, opressão

O cinema de base teatral aborda temas universais com profundidade filosófica e política. Entre os mais recorrentes:

  • Culpa e perdão: Doubt, A Baleia, O Pai

  • Identidade e alteridade: O Mercador de Veneza, Equus, Hamlet

  • Conflitos sociais e raciais: Fences, Ma Rainey, As Bruxas de Salém

  • Poder e corrupção: Glengarry Glen Ross, 12 Homens e uma Sentença

Tais filmes funcionam como "câmaras de pressão" onde se expõem as contradições humanas e coletivas.

4. Estilo cinematográfico: teatralidade versus estilização

Existem duas abordagens predominantes nas adaptações:

a) Teatralidade deliberada

Filmes como Carnage, The Sunset Limited ou The Father mantêm a sobriedade da encenação teatral, com enquadramentos contidos e foco na expressividade do ator.

b) Expansão cinematográfica da dramaturgia

Outros diretores optam por "cinematografar" a peça, usando montagem, ambientação externa e dinamismo visual:

  • Romeu + Julieta (Luhrmann, 1996)

  • O Mercador de Veneza (Radford, 2004)

  • Amadeus (Milos Forman, 1984)

Ambas as abordagens podem ser eficazes: a primeira potencializa a dimensão existencial do texto; a segunda amplia seu alcance sensorial e popular.

5. Relevância atual: permanência do humano no centro

A insistência em adaptar textos teatrais revela uma necessidade urgente: voltar o olhar ao ser humano, à palavra significativa e ao drama da existência. Em tempos de dispersão digital e espetacularização do entretenimento, esses filmes propõem:

  • Tempo de escuta

  • Reflexão política e ética

  • Confronto emocional

  • Atenção ao texto, ao gesto, ao olhar

Como diz Georges Politzer, “o teatro é a forma mais dialética da arte”. O cinema que se aproxima do teatro recupera essa função.

Conclusão

Filmes adaptados de peças teatrais não são apenas registros de textos clássicos: são expressões de resistência estética, de busca por densidade, e de reumanização do audiovisual. Eles reafirmam que, apesar das inovações tecnológicas, nada substitui o encontro entre duas consciências em conflito — o que sempre foi, e continuará sendo, a essência do teatro e do bom cinema.

Referências

  • Politzer, Georges. Crítica aos Fundamentos da Psicologia.

  • Adorno, Theodor W. Indústria Cultural e Sociedade.

  • Barthes, Roland. O Prazer do Texto.

  • Esslin, Martin. O Teatro do Absurdo.

  • Brockett, Oscar. História do Teatro.

  • Catálogos da Broadway, IMDb e Mostras de Cinema.


FILMES ADAPTADOS DE TEXTOS TEATRAIS: UMA ANÁLISE CRÍTICA SOBRE A LINGUAGEM, O IMPACTO E A ATUALIDADE

Introdução

Em pleno século XXI, enquanto o cinema comercial aposta em franquias, efeitos digitais e narrativas aceleradas, uma parcela significativa da produção cinematográfica continua voltando-se para uma fonte clássica e aparentemente contracultural: o teatro. Filmes como A Baleia (2022), A Voz Suprema do Blues (2020), Fences (2016) e Carnage (2011) são exemplos de obras que, baseadas em textos teatrais, reafirmam a potência da palavra, da atuação e do conflito humano como centros do drama. Este artigo busca analisar as características formais, temáticas e estéticas desses filmes, bem como os motivos de sua permanência e relevância em tempos de espetáculo midiático e consumo cultural raso.

1. Origem e estrutura teatral: o espaço fechado e o tempo concentrado

As peças de teatro, em sua maioria, respeitam ou se organizam em torno das unidades aristotélicas de ação, tempo e lugar. Essas restrições estruturais produzem filmes que se destacam por:

  • Cenários limitados, com forte presença de ambientes únicos ou claustrofóbicos (ex: The Sunset Limited, Tape, The Father).

  • Conflito concentrado, em que o essencial é dito, mais do que mostrado.

  • Tempo comprimido, muitas vezes limitado a poucas horas ou um dia, criando intensidade e urgência.

Tais características, longe de empobrecer a narrativa, geram profundidade psicológica e foco dramático.

2. O ator como núcleo do drama

Ao herdar a centralidade do ator no teatro, esses filmes valorizam a atuação como ferramenta primária de comunicação emocional e simbólica. Muitas dessas obras renderam prêmios e consagração crítica:

  • Brendan Fraser em A Baleia (Oscar 2023)

  • Viola Davis e Denzel Washington em Fences

  • Chadwick Boseman em Ma Rainey’s Black Bottom

Esses personagens têm densidade, monólogos potentes e são movidos por conflitos morais e afetivos, mais do que por ações externas.

3. Temas recorrentes: verdade, culpa, identidade, opressão

O cinema de base teatral aborda temas universais com profundidade filosófica e política. Entre os mais recorrentes:

  • Culpa e perdão: Doubt, A Baleia, O Pai

  • Identidade e alteridade: O Mercador de Veneza, Equus, Hamlet

  • Conflitos sociais e raciais: Fences, Ma Rainey, As Bruxas de Salém

  • Poder e corrupção: Glengarry Glen Ross, 12 Homens e uma Sentença

Tais filmes funcionam como "câmaras de pressão" onde se expõem as contradições humanas e coletivas.

4. Estilo cinematográfico: teatralidade versus estilização

Existem duas abordagens predominantes nas adaptações:

a) Teatralidade deliberada

Filmes como Carnage, The Sunset Limited ou The Father mantêm a sobriedade da encenação teatral, com enquadramentos contidos e foco na expressividade do ator.

b) Expansão cinematográfica da dramaturgia

Outros diretores optam por "cinematografar" a peça, usando montagem, ambientação externa e dinamismo visual:

  • Romeu + Julieta (Luhrmann, 1996)

  • O Mercador de Veneza (Radford, 2004)

  • Amadeus (Milos Forman, 1984)

Ambas as abordagens podem ser eficazes: a primeira potencializa a dimensão existencial do texto; a segunda amplia seu alcance sensorial e popular.

5. Relevância atual: permanência do humano no centro

A insistência em adaptar textos teatrais revela uma necessidade urgente: voltar o olhar ao ser humano, à palavra significativa e ao drama da existência. Em tempos de dispersão digital e espetacularização do entretenimento, esses filmes propõem:

  • Tempo de escuta

  • Reflexão política e ética

  • Confronto emocional

  • Atenção ao texto, ao gesto, ao olhar

Como diz Georges Politzer, “o teatro é a forma mais dialética da arte”. O cinema que se aproxima do teatro recupera essa função.

Conclusão

Filmes adaptados de peças teatrais não são apenas registros de textos clássicos: são expressões de resistência estética, de busca por densidade, e de reumanização do audiovisual. Eles reafirmam que, apesar das inovações tecnológicas, nada substitui o encontro entre duas consciências em conflito — o que sempre foi, e continuará sendo, a essência do teatro e do bom cinema.

Anexo: Lista de Filmes Adaptados de Textos Teatrais

  • A Baleia (The Whale, 2022) - Samuel D. Hunter

  • A Voz Suprema do Blues (Ma Rainey's Black Bottom, 2020) - August Wilson

  • Fences (2016) - August Wilson

  • The Father (2020) - Florian Zeller

  • The Son (2022) - Florian Zeller

  • Doubt (2008) - John Patrick Shanley

  • Carnage (2011) - Yasmina Reza

  • Who’s Afraid of Virginia Woolf? (1966) - Edward Albee

  • Closer (2004) - Patrick Marber

  • Amadeus (1984) - Peter Shaffer

  • Equus (1977) - Peter Shaffer

  • The Sunset Limited (2011) - Cormac McCarthy

  • Tape (2001) - Stephen Belber

  • 12 Angry Men (1957) - Reginald Rose

  • As Bruxas de Salém (The Crucible, 1996) - Arthur Miller

  • Death of a Salesman (1985 e 2022) - Arthur Miller

  • Glengarry Glen Ross (1992) - David Mamet

  • Oleanna (1994) - David Mamet

  • Bug (2006) - Tracy Letts

  • Killer Joe (2011) - Tracy Letts

  • Romeu + Julieta (1996) - William Shakespeare

  • Hamlet (1996, 2000, 2009) - William Shakespeare

  • Macbeth (1948, 1971, 2015, 2021) - William Shakespeare

  • Ricardo III (1995) - William Shakespeare

  • O Mercador de Veneza (2004) - William Shakespeare

  • Much Ado About Nothing (1993, 2012) - William Shakespeare

Referências

  • Politzer, Georges. Crítica aos Fundamentos da Psicologia.

  • Adorno, Theodor W. Indústria Cultural e Sociedade.

  • Barthes, Roland. O Prazer do Texto.

  • Esslin, Martin. O Teatro do Absurdo.

  • Brockett, Oscar. História do Teatro.

  • Catálogos da Broadway, IMDb e Mostras de Cinema.

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