segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Futebol Profissional: Alienação e Violência.



Futebol Profissional: Alienação e Violência.


O futebol profissional, como fenômeno de massa, transcende sua essência esportiva e se insere no contexto dos grandes eventos que moldam a sociedade contemporânea. Utilizado como ferramenta de manipulação, políticos e meios de comunicação se apropriam de sua popularidade para desviar a atenção das massas dos reais problemas sociais. A promessa de diversão barata anestesia a população, enquanto questões fundamentais, como saúde, educação e segurança, são relegadas ao esquecimento.

O comportamento dos torcedores, muitas vezes, ultrapassa os limites da paixão e atinge níveis alarmantes de irracionalidade. A devoção ao time torna-se um fanatismo cego, levando a atitudes violentas que incluem depredações, atentados e até assassinatos. Em 2017, no Brasil, um torcedor do Palmeiras foi brutalmente assassinado por membros de uma torcida rival do Corinthians, em mais um episódio de violência irracional que se repete constantemente. Em 2013, um jovem boliviano de 14 anos morreu após ser atingido por um sinalizador disparado por um torcedor brasileiro durante um jogo da Libertadores.

Organizadas em facções, algumas torcidas promovem verdadeiras guerras urbanas, transformando estádios e ruas em campos de batalha. O espírito esportivo dá lugar à hostilidade, e a vitória torna-se um pretexto para atos de vandalismo e agressões gratuitas. Em 2022, cenas de destruição foram vistas na final da Copa Sul-Americana, com torcedores organizados depredando estádios e promovendo confrontos violentos.

Além disso, o impacto do futebol profissional na vida cotidiana é avassalador. Os dias de jogos são marcados por distúrbios no trânsito, tornando a mobilidade urbana um caos, gerando congestionamentos e acidentes. No Rio de Janeiro, é comum que grandes clássicos resultem em bloqueios de vias importantes, prejudicando o cotidiano da população. A insegurança se intensifica, com confrontos entre torcidas, saques e atos de violência gratuita. A perturbação do sossego e do trabalho torna-se uma constante, com festas descontroladas, barulho excessivo e comportamento desrespeitoso ao próximo, onde farra e dinheiro justificam tudo.

Esse cenário tem se tornado ainda mais preocupante com a adesão crescente da juventude a essa cultura destrutiva. Jovens, em busca de identidade e pertencimento, encontram nas torcidas organizadas um refúgio, sem perceber que estão sendo tragados por uma espiral de violência e alienação. Muitos deles acabam envolvidos em atividades criminosas, sendo usados por facções que financiam torcidas organizadas e as utilizam como braço para suas operações ilícitas.

A exacerbação do fanatismo não é um fenômeno isolado, mas um reflexo de uma sociedade que estimula a rivalidade extrema, a busca desenfreada por status e a desvalorização do pensamento crítico. A mídia contribui significativamente para esse cenário, ao glorificar torcidas violentas e alimentar a narrativa de que o futebol é uma guerra, e não um jogo. A idolatria a jogadores milionários, enquanto a população sofre com a miséria e a falta de oportunidades, reforça a alienação, criando um ciclo vicioso de desinformação e escapismo. A tragédia ocorrida no estádio de Hillsborough, em 1989, quando 97 torcedores morreram pisoteados, é um triste lembrete de como a obsessão pelo futebol pode custar vidas.

Maurício Menossi Flores

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