terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Escolas Brasileiras Reforçam e Reproduzem Uma Sociedade Doente, Por Falta de Princípios Éticos.


Escolas Brasileiras Reforçam e Reproduzem Uma Sociedade Doente, Por Falta de Princípios Éticos.

 

A escola brasileira, em muitos casos, se transformou em um ambiente opressor, longe de ser um local de aprendizado e desenvolvimento integral. O que deveria ser um espaço de reflexão, diálogo e crescimento, se tornou, em diversos momentos, uma verdadeira “fábrica de loucos”, onde tanto alunos quanto professores se veem cada vez mais à mercê de uma realidade desconexa das reais necessidades do processo educativo.

No contexto atual, o Brasil vive uma crise de valores e uma inversão de princípios que refletem diretamente no ambiente escolar. Para muitos, a educação se perdeu ao longo do tempo, e as escolas se tornaram verdadeiros campos de batalha, onde professores são constantemente desvalorizados, desrespeitados e forçados a lidar com uma realidade que beira o insuportável. De acordo com a pesquisa realizada pelo Centro de Valorização do Professor (CVP), cerca de 40% dos professores apresentam sintomas de distúrbios psiquiátricos como depressão, ansiedade e síndrome de burnout, transtornos que são exacerbados pelas condições adversas de trabalho nas escolas. Esses dados refletem uma realidade alarmante, onde os educadores, além de ensinar, precisam lidar com um ambiente insalubre, marcado pela falta de recursos, desrespeito de alunos e até mesmo de pais.

Além disso, a poluição sonora nas escolas — composta por gritarias, algazarras, cantorias, falatórios indesejados e outros tipos de barulho — é um fator de grande impacto para a saúde mental e física dos professores. Estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de outras entidades especializadas já alertam que a exposição contínua ao barulho pode ter efeitos devastadores no bem-estar das pessoas. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em um levantamento sobre as condições de trabalho nas escolas, apontou que o barulho é um dos maiores fatores de estresse para os professores, contribuindo significativamente para o desenvolvimento de transtornos de ansiedade, hipertensão e até doenças cardiovasculares. O barulhote e a falta de ambientes silenciosos geram um desgaste psicológico diário que afeta a capacidade de concentração e o desempenho dos educadores.

O barulho nas escolas tem sido amplamente estudado em diversas pesquisas. Um estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) revelou que a exposição prolongada ao ruído escolar está diretamente associada ao aumento de níveis de estresse, irritabilidade e até de distúrbios do sono nos professores. O barulho interfere nas funções cognitivas, prejudicando a memória e a capacidade de tomar decisões, e é reconhecido como um dos fatores ambientais que mais comprometem a qualidade de vida dos trabalhadores. O barulho também aumenta a pressão arterial, o que pode levar a doenças cardiovasculares ao longo do tempo.

De acordo com um estudo publicado pela Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, os níveis elevados de ruído nas escolas podem causar perda auditiva temporária ou permanente, além de prejudicar o sistema nervoso central e causar irritabilidade e ansiedade. Essa condição, em conjunto com o estresse causado pelas cobranças excessivas, pelo desrespeito dos alunos e pela falta de infraestrutura nas escolas, faz com que muitos professores desenvolvam uma síndrome de burnout, caracterizada por exaustão extrema, distúrbios emocionais e físicos.

A legislação que deveria servir para proteger e guiar crianças e adolescentes, como o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), muitas vezes é utilizada como um manual de permissividade. Em vez de assegurar direitos e proporcionar uma educação de qualidade, muitas vezes é distorcida, favorecendo a licença para comportamentos destrutivos e desrespeitosos. O foco, em muitas situações, está na proteção de atitudes que não condizem com um ambiente saudável e educacional, e os professores se veem impotentes, incapazes de disciplinar ou intervir de forma eficaz.

O estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) revelou que cerca de 40% dos professores apresentam sintomas de distúrbios psiquiátricos, com destaque para as altas taxas de depressão e estresse crônico. A falta de recursos para tratamento psicológico adequado e a escassez de políticas públicas para apoiar os educadores agravam ainda mais essa realidade. A pesquisa também aponta que a pressão para se obter resultados de aprendizagem, muitas vezes sem o devido suporte pedagógico ou material, contribui para o agravamento do quadro de adoecimento mental entre os professores. Hospitais psiquiátricos e clínicas especializadas têm registrado aumento no número de professores em tratamento por doenças como transtornos de ansiedade, depressão e transtornos de estresse pós-traumático (TEPT), frequentemente associados ao acúmulo de estresse e à falta de suporte emocional e psicológico no ambiente de trabalho. Esses profissionais, em muitos casos, recorrem a tratamentos psiquiátricos devido à exaustão emocional e física acumulada, resultado de uma rotina desgastante e de uma realidade educacional caótica.

Por outro lado, a relação entre pais, alunos e escolas também se deteriorou ao longo do tempo, exacerbando ainda mais os problemas enfrentados pelos educadores. Muitos pais, em vez de apoiarem os professores em suas funções, passaram a adotar uma postura de oposição constante, frequentemente utilizando o ECA de forma distorcida para proteger seus filhos, muitas vezes sem considerar a gravidade das atitudes problemáticas que seus filhos exibem dentro da escola. O professor, muitas vezes, é desvalorizado pelos pais e pelos próprios alunos, o que cria um ambiente de extrema insegurança, em que a autoridade do educador é constantemente questionada.

Essa relação tumultuada se reflete também em dados alarmantes relacionados à violência escolar. Noticiários de todo o país têm mostrado um aumento significativo de casos de violência física e psicológica dentro das escolas, com destaque para o crescente número de agressões entre alunos e até mesmo contra professores. De acordo com a pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a violência escolar no Brasil aumentou consideravelmente nos últimos anos, com cerca de 30% das escolas relatando episódios de violência verbal e física envolvendo alunos e professores. Esses dados mostram um cenário cada vez mais difícil de ser gerido, onde o medo e a insegurança se tornam parte da rotina de muitos educadores.

A pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Psicologia (CRP) também revela um panorama alarmante: 70% dos professores afirmam já ter enfrentado problemas relacionados à saúde mental durante a carreira, com ênfase em estresse, insônia e dificuldade de concentração, fatores diretamente ligados à violência e à desvalorização da profissão. O estresse constante é resultado de uma rotina que envolve não apenas a carga de trabalho pedagógico, mas também a pressão por resultados em um sistema educacional falido, a violência crescente dentro das escolas e o desamparo institucional.

Portanto, o ambiente escolar no Brasil, ao invés de ser um local de aprendizado e crescimento, se tornou um espaço de luta constante. Para os professores, a realidade é de exaustão emocional, adoecimento psíquico e insegurança. Para os alunos, o que deveria ser um espaço de formação cidadã, muitas vezes se transforma em um campo de permissividade e falta de respeito. É fundamental que o Brasil, como sociedade, comece a encarar essa questão de frente, implementando políticas públicas que garantam melhores condições de trabalho aos professores, investimentos em saúde mental, controle da poluição sonora nas escolas e uma reflexão profunda sobre os valores que permeiam as relações escolares. Só assim será possível restaurar a dignidade da profissão e recuperar a verdadeira missão das escolas: educar, formar cidadãos críticos e promover o bem-estar de todos os envolvidos, ao invés de ser reforçador e multiplicador de comportamentos de uma sociedade doente por falta de princípios éticos. 

Maurício Menossi Flores

Nenhum comentário:

Postar um comentário

A Oração (Prece, Reza) No Teatro.

A Oração (Prece, Reza) No Teatro. Quem inventou a oração, a prece, a reza? A oração não foi “inventada” por uma única pessoa. Ela surgiu de ...