quinta-feira, 3 de março de 2022

"A Doutrinadora de Noias e Outros Contos" (de Maurício Menossi Flores). Em Processo.

 



A Doutrinadora de Noias.


Estamos todos nos suicidando, dentro das nossas crenças.

Gostava da penumbra. Monteiro Lobato é quem fala do mal em ler com luz de vela?

Visualização das cores. Fez retângulos coloridos em uma folha. Imprimiu em papel de gramatura 150.

Relaxar os dedos dos pés. Esticar a coluna. Respirar. Relaxar os ombros.

Se ela fosse boa psicógrafa, poderia sustentar um centro espírita.

Quando estaria pronta?

Teste simples.

Bastaria concentrar-se e superar-se, contando com a força de público imenso.

Ok?

Quem sabe...

Foi lendo Roque Jacintho, presente de um amigo.

Deixou de ser egoísta.

O mundo precisava dela e ela do mundo.

Tentou passar, sem parecer notar ninguém e incomodar-se com a fumaça do churrasco farto.

Grandes pedaços de carne e muita farinha.

Estava difícil manter o abdômen contraído e as nádegas, idem.

"Rastros de Dor".

Com todas as implicações das iniciais maiúsculas no título, poucos as utilizavam. Ou a utilizava?

A casa é dos espíritos, dizia. Pois sempre aparecia alguém querendo alugar.    

Era professora particular. Talvez tantrismo...

Escola de masturbação mental. Estava faltando. Seria útil. 

De letras indecifráveis, a forma da formosa dama caprichosa, que não gostava de se identificar, a não ser como "A Doutrinadora de Noias".

Não faltava mais nada.

O modo de ser do andaluz moderno.

Um senhor calvo, barrigudo, com camisa para dentro da calça social.

É possível sentir o cheiro do parceiro de tantos anos?

Estaria a fim de acumular mais memórias para se deleitar deitada?

Muita inveja. Poucos amigos, de verdade.

Cada um tem o seu jeito de ser gente agradável.

Ultimamente, nada queria defender, baseado em grupos.

Decidido, disse para ela mesma.

Em discurso indireto livre, forçado, tentou enjambrar-se.  Um disparate para ser corrigido, através de chutes e de pontapés, desferidos em sessão de desobsessão (palavra evitada por intelectuais). No início, particular. Depois, teatro privado.

Sempre aqueles grupos...

... 

Dito a ela mesma ela ser ela, partiu para aventuras inimagináveis, vividas com toda a emoção de ter comprovado o Espiritismo.

Parecia o Divaldo ditando.

Contudo, porém, todavia, como diriam os jovens, era lerda na psicografia, sem produzir garranchos e sem dores nas costas, por manter o abdômen contraído e os dedos dos pés relaxados, não largados. Os joelhos levemente dobrados. Os pés paralelos. Respirando, com consciência.

Falar de cabalista causou mal-estar.

Existem preconceitos em relação com a Maçonaria e com a Cabalá. Palavra parecendo árabe...

Outro espírito assume.

Quer falar de futebol.

Mas não é tão fácil quanto pareceu das primeiras vezes, nas quais manifestou-se.

Para alguns, nunca faltarão palavras.

Palavras nunca faltarão para alguns.

Qual é a regência do verbo faltar? Perguntou ao doutrinador.

Nesse momento, pensou que o espírito estava inventando a história.

Poderia acobertar o seu trabalho com obras de caridade.

Mas seria capaz de gostar da língua portuguesa, a ponto de lamentar um comportamento insensível ao drama da estudante dinamarquesa, forçada a se prostituir por falta de recursos nos estudos?

Há estudos caríssimos.

Há desconfiança em relação a você saber análise sintática.

Não se surpreenderia com a capacidade de prever a incapacidade de surpreender-se, a não ser com aquilo que queria.

Muitos "quês", pouca reflexão sobre o próprio meio.

- Sinto-me impotente. Disse o espírito.

Não é mera forma? Pergunta, tentando confundir o narrador, como se isso fosse possível.

Em nível no qual néscios não alcançam.

Prevenção natural. Todo torto.

Sem apoios bem construídos ou feitos.

...

Foi um feiticeiro importante. Deus escreve certo por linhas tortas.

Regeneração prometida, ao levarem-no para lá. 

- Que lugar é esse?

A resposta veio como enigma:

- Casa de Deus. Amigos de Jesus e de todos os propaladores do Bem Maior. O combate às guerras!

Quantas dúvidas, para levar a um ótimo professor.

- Precisa a médium estudar. A psicografia dela é péssima!

Quanta exclamação, assinalando ignorância, posta no formato de texto livre.

Concordância. 

Concordância, repetiu.

Reflita, força mental nisso. Médium não é guindaste. 

Vejam como o Chico coloca a ideia, em "Somos Seis", ou melhor, em "Jovens no Além".  

Quando Almodóvar descobrir os andaluzes mais arredios do planeta, os andaluzes do Brasil...

Quem quer desenterrar mortos, a fim de saber de qual lado estavam?

Textos arrasadores, ditados por espíritos de noias.

Todo tipo de noia.

Desde psicopatas assassinos a estelionatários notórios.

"Obrigada, viu", disse a moça da Claro.

O combinado não sai caro. Queria manter os alunos. Queria evoluir com eles.

Não misturava mais drogas com negócios.

Naquele momento, não sabia se deveria levar o espírito para a corsa com cordas, no colchão amarrado.

Um aparelho construído sob os ditames dos engenheiros do espaço. 

Parecia simples e era, como toda a engenharia de Deus.

Qual era a dúvida? Não era aquele o método provado, na prática, como o correto?

Um conto, ao menos...

A verdade impossível.

Não terminara, ainda, livro tão inspirador. Estava admirada!


(Nina Ferraz, psicografia de Maurício Menossi Flores)

(em processo, sem revisão)

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