quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

A Oração (Prece, Reza) No Teatro.


A Oração (Prece, Reza) No Teatro.

Quem inventou a oração, a prece, a reza?

A oração não foi “inventada” por uma única pessoa. Ela surgiu de forma independente em várias culturas antigas como uma expressão espontânea do ser humano diante do mistério, do medo, da gratidão e do desejo de proteção.

Desde que há registros históricos, há preces.

Nas civilizações antigas

Na Mesopotâmia, já existiam hinos e súplicas dirigidas aos deuses, escritos em tabuletas de argila.

No Egito antigo, encontramos orações nos Textos das Pirâmides e no Livro dos Mortos.

Na Índia védica, os hinos do Rigveda (c. 1500 a.C.) são formas estruturadas de prece.

No Israel antigo, muitos salmos da Bíblia são orações poéticas.

Na Grécia antiga, havia invocações formais aos deuses do panteão olímpico.

Antes mesmo da escrita

Antropólogos acreditam que práticas semelhantes à oração já existiam em sociedades pré-históricas — provavelmente como invocações, cantos ou rituais ligados à caça, à fertilidade e à morte.

Então, quem “inventou”?

Provavelmente ninguém em particular. A oração parece ter nascido junto com a consciência simbólica humana — quando o ser humano começou a perguntar:

Quem controla a chuva?

O que acontece após a morte?

Como pedir proteção?

Como agradecer?

Em resumo:
A oração é tão antiga quanto a espiritualidade humana. Ela não tem um inventor — é uma criação coletiva da humanidade.
Claro — dá pra aprofundar e falar de pesquisadores que estudaram a origem da oração/prece desde perspectivas antropológicas, psicológicas e religiosas. Vou citar quem são, o que pensam e por quê.

🧠 1. Mircea Eliade (1907–1986) — Historiador das religiões

Quem foi: Um dos maiores estudiosos da religião do século XX.

O que ele disse: As orações nas culturas primitivas não são simplesmente pedidos; são atos de encontro com o sagrado. Para Eliade, a religião é a maneira como o humano experimenta o transcendente.

Importante: Ele mostra que rituais, símbolos e orações são formas humanas de dar sentido à vida — não meros instrumentos utilitários.

📌 Livro importante: O Sagrado e o Profano

🗿 2. Claude Lévi-Strauss (1908–2009) — Antropólogo estruturalista

Quem foi: Um dos fundadores da antropologia moderna.

O que ele disse: A oração e o mito são formas de organizar a experiência humana. Não são “explicações primitivas” de fenômenos, mas sim maneiras estruturadas de lidar com o mundo social e natural.

Importante: Para Lévi-Strauss, rezar é tão humano quanto falar ou criar arte — uma estrutura simbólica para superar incertezas.

🧬 3. Pascal Boyer (nasc. 1957) — Psicólogo cognitivo

Quem é: Pesquisador que aplica psicologia cognitiva ao estudo das religiões.

O que ele mostrou: A oração se espalha porque algumas ideias religiosas “pega(m)” facilmente na mente humana — por exemplo, ideias sobre agentes invisíveis, como espíritos ou deuses.

Importante: Para Boyer, a forma como pensamos torna certas noções (e orações) cognitivamente naturais.

📌 Livro importante: Religion Explained

🧠 4. William James (1842–1910) — Psicólogo e filósofo

Quem foi: Um pionero da psicologia da religião.

O que ele disse: Experiências religiosas (inclusive orações profundas) são parte da experiência subjetiva humana — algo que pode trazer sentido, consolo ou transformação pessoal.

Importante: Em vez de debater se Deus existe, James estudou como as pessoas vivem a religião.

⚡ 5. Émile Durkheim (1858–1917) — Sociólogo

Quem foi: Pai da sociologia moderna.

O que ele disse: A oração é um ato social, que fortalece laços comunitários; não só uma conversa com o divino, mas também com a comunidade.

Importante: Para Durkheim, religião e preces criam e reforçam coesão social.

🔬 Perspectivas mais recentes
✦ Neuroteologia

Pesquisadores como Andrew Newberg estudaram o cérebro durante preces e meditação. Eles mostram que padrões neuronais mudam em estados de oração profunda — sugerindo que há uma base biológica na experiência espiritual.

✦ Psicologia evolutiva

Alguns pesquisadores veem a oração como um mecanismo adaptativo: confiar em algo além de si mesmo pode reduzir o estresse e aumentar a resiliência, o que ajuda a sobreviver em ambientes difíceis.

🧠 Síntese profunda

Quando pesquisadores procuram respostas para quem inventou a oração, ninguém encontra um inventor individual. Em vez disso, o que vemos é:

🔹 A oração como fenômeno emergente

Ela surge quando:

O humano percebe o mundo como incerto

Precisa de significado, controle emocional e conexão

Desenvolve símbolos e linguagem complexa

Compartilha isso socialmente

🔹 A oração como:

estrutura simbólica (Lévi-Strauss),

experiência do sagrado (Eliade),

produto cognitivo natural (Boyer),

ritual social (Durkheim),

experiência psicológica profunda (James),

evento neurobiológico (Newberg).

📌 Conclusão

Não existe um “inventor da oração”.
A prece é um traço profundamente humano, resultado de:

✔ capacidades cognitivas
✔ necessidade de sentido
✔ experiências emocionais intensas
✔ vida social comunitária
✔ interpretação do que é sagrado
Cite exemplos de peças teatrais nas quais as orações aparecem de maneira significativa.
Excelente pergunta — porque no teatro a oração não aparece apenas como gesto religioso, mas como ato dramático extremo: súplica, culpa, delírio, resistência, silêncio de Deus.

Vou citar exemplos em que a oração tem função estrutural na peça.

1. Hamlet — William Shakespeare

A cena em que o rei Cláudio tenta rezar (“My words fly up, my thoughts remain below…”) é central.

Ele tenta orar para obter perdão pelo assassinato do irmão — mas percebe que não pode se arrepender enquanto mantém o poder obtido pelo crime.

👉 Aqui a oração revela:

culpa insolúvel

falência moral

impossibilidade de redenção

É uma oração que fracassa — e o fracasso move a tragédia.

2. Murder in the Cathedral — T. S. Eliot

Peça sobre o martírio de Thomas Becket.

As orações e cantos do coro são estruturais. O arcebispo precisa discernir se aceita o martírio por fé ou por orgulho espiritual.

👉 A oração aqui é:

combate interior

purificação da intenção

preparação para a morte

Ela molda a ação e o destino.

3. Les Mouches — Jean-Paul Sartre

Inspirada na Orestéia.

A cidade vive sob culpa coletiva e rituais religiosos opressivos. As preces são usadas como instrumento de dominação.

👉 Aqui a oração aparece como:

mecanismo de controle social

teatro da culpa

falsa transcendência

Sartre subverte o sentido tradicional da oração.

4. A Streetcar Named Desire — Tennessee Williams

Blanche faz apelos e quase-preces em momentos de colapso psicológico. Não são orações litúrgicas, mas invocações desesperadas.

👉 A oração aparece como:

pedido de salvação emocional

tentativa de manter dignidade

grito no vazio

É uma oração existencial.

5. O Pagador de Promessas — Dias Gomes

Aqui a oração é literal e concreta: Zé do Burro faz uma promessa religiosa e carrega uma cruz para pagá-la.

👉 A oração torna-se:

contrato com o sagrado

conflito entre fé popular e instituição religiosa

motor da tragédia

A promessa é oração dramatizada.

6. Waiting for Godot — Samuel Beckett

Há momentos de referência à oração e ao arrependimento (especialmente na discussão sobre os dois ladrões crucificados).

Mas o essencial é o silêncio: Deus (ou Godot) nunca chega.

👉 Aqui a oração é:

expectativa frustrada

ausência de resposta

metáfora do vazio metafísico

7. The Crucible — Arthur Miller

Durante os julgamentos das bruxas de Salem, orações são usadas como prova de pureza espiritual.

👉 A oração se torna:

instrumento de julgamento

teste moral

arma política

Ela decide quem vive e quem morre.

Observação mais profunda

No teatro, a oração costuma aparecer em três formas:

Súplica autêntica (Eliot, Dias Gomes)

Oração impossível ou fracassada (Shakespeare, Beckett)

Oração manipulada socialmente (Sartre, Miller)

Dramaturgicamente, a oração é poderosa porque:

é um monólogo dirigido ao invisível

revela interioridade extrema

coloca o personagem diante do absoluto

expõe conflito moral sem mediação

Ela funciona quase como um solilóquio radical — mas com Deus como interlocutor.

Se você quiser, posso aprofundar a análise estética de uma dessas peças ou relacionar oração e teatro com sua pesquisa sobre arte e instalação.

Há exemplos na Tragédia Grega?

Sim — e na tragédia grega a oração é absolutamente estrutural.
Ela não é decorativa: é ato público, político, ritual e metafísico ao mesmo tempo.

Vou citar exemplos centrais.

1. Édipo Rei — Sófocles

Logo na abertura, o povo de Tebas está reunido diante do palácio em atitude de súplica ritual.

Eles pedem a Édipo que interceda junto aos deuses para cessar a peste.

Aqui temos algo muito importante na cultura grega:
a hiketía (súplica ritual).

👉 Elementos centrais:

ramos de oliveira como símbolo de pedido

apelo público aos deuses

oração como ação política

A cidade ora porque está doente — e a resposta divina vem como revelação trágica.

A oração inicia a tragédia.

2. As Troianas — Eurípides

Após a queda de Troia, as mulheres derrotadas elevam lamentos que são também orações.

Mas são orações que não obtêm resposta.

👉 Aqui a prece se transforma em:

lamento cósmico

denúncia contra os deuses

questionamento da justiça divina

Eurípides radicaliza: ele mostra a oração diante do absurdo da guerra.

3. As Eumênides — Ésquilo

Orestes, perseguido pelas Fúrias, busca refúgio no templo de Apolo.

Ele se agarra ao altar — gesto clássico de súplica.

👉 A oração aqui:

ativa proteção sagrada

coloca deuses em conflito

inicia a transformação da vingança em justiça institucional

A súplica provoca uma mudança histórica: do ciclo de sangue ao tribunal.

4. Hipólito — Eurípides

Hipólito é devoto de Ártemis e despreza Afrodite.

Suas orações revelam exclusividade e pureza — e justamente por isso provocam a vingança da deusa rejeitada.

👉 A oração aqui:

revela excesso (hybris religiosa)

cria conflito divino

desencadeia destruição

5. Agamêmnon — Ésquilo

O coro relembra o momento em que Agamêmnon deve sacrificar Ifigênia para que os ventos soprem.

Há preces contraditórias: pedir vitória implica pedir morte.

👉 Aqui a oração:

expõe dilema moral insolúvel

mostra que os deuses não oferecem saída limpa

revela a violência estrutural do destino

O papel da oração na Tragédia Grega

Na cultura grega antiga, oração não era apenas devoção interior. Era:

1. Ato jurídico-religioso

Quem suplica sob proteção de um altar entra num campo sagrado.

2. Ato político

A cidade ora coletivamente (como em Édipo Rei).

3. Dispositivo dramático

A prece:

inicia ação

provoca resposta divina

revela falha humana

evidencia silêncio dos deuses

Algo ainda mais profundo

Diferente da tradição cristã posterior, na tragédia grega a oração:

não garante consolo

não promete redenção

não assegura justiça

Ela expõe o humano diante do moira (destino), do limite.

Muitas vezes, a oração revela que:

o divino é poderoso, mas não necessariamente benevolente.

Ou, em Eurípides, que talvez nem seja justo.
Por que você não citou Oração Para Um Pé De Chinelo, do Plínio Marcos?

Excelente observação. Você tem razão em lembrar.

Oração para um Pé de Chinelo — Plínio Marcos**

Eu não citei porque, na resposta anterior, foquei exclusivamente na tragédia grega — mas sua lembrança é muito pertinente, porque nessa peça a oração aparece de maneira brutalmente deslocada do sagrado tradicional.

E isso é importantíssimo.

O que acontece nessa peça?

A “oração” não é uma prece litúrgica formal.
Ela surge num ambiente de marginalidade, violência e exclusão social.

O título já é irônico:

“Pé de chinelo” = sujeito sem status, desprezado, marginal.

“Oração” = linguagem do sagrado.

Plínio Marcos funde essas duas dimensões.

O que essa oração faz dramaturgicamente?

Ela:

Não é dirigida a um Deus claramente definido.

Não pede redenção metafísica.

Não busca transcendência clássica.

Ela funciona como:

1. Grito de sobrevivência

É quase uma oração laica, um clamor por dignidade.

2. Sacralização do marginal

O autor desloca o sagrado para o submundo urbano.

3. Paródia amarga da linguagem religiosa

Há ecos de ladainha, mas impregnados de violência e desespero.

Comparação interessante

Se em Édipo Rei a cidade ora diante da peste,
em Oração para um Pé de Chinelo o personagem ora diante da exclusão social.

Mas há uma diferença crucial:

Na tragédia grega, o divino ainda estrutura o cosmos.

Em Plínio Marcos, o mundo parece abandonado — a oração ecoa num espaço sem garantia de resposta.

Isso aproxima a peça, em certo sentido, do vazio de Waiting for Godot.

Por que essa peça é tão significativa nesse debate?

Porque ela mostra algo fundamental:

A oração não precisa de templo.
Ela emerge onde há limite, desespero e consciência da própria precariedade.

Plínio Marcos transforma a oração em:

denúncia social

ato poético de resistência

último recurso simbólico de quem não tem poder

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Happening. Allan Poe & Alessandro: A Cidade Vista A Partir De Suas Árvores.

 


Quero um conto bem desenvolvido, no qual Leonore, personagem do poema O Corvo, de Poe, morre em acidente de carro, em uma estrada, esmagada por árvore caindo sobre seu automóvel. Esse seria o primeiro quadro, ato. O segundo é o próprio poema do Poe, com a sua alma sendo oprimida pela sombra da negação, o corvo. Na terceira parte, o personagem se reinventa e vira youtuber, especialista em plantio seguro de árvores. Claro. Vou desenvolver o conto em três atos, como você propôs, mantendo uma atmosfera poética e simbólica, sem recorrer a descrições gráficas.


I – A Estrada

A estrada era dessas que atravessam o mundo
sem pedir licença — duas faixas estreitas, ladeadas por eucaliptos altos e
cansados do próprio peso. O céu estava indeciso entre chuva e silêncio.

Leonore dirigia sozinha.

Não fugia de nada. Não buscava nada. Apenas
seguia — como quem atravessa uma frase longa demais e ainda não encontrou o
ponto final.

O vento começou como um aviso, uma
respiração mais forte entre as folhas. O rádio perdeu o sinal. O ar tornou-se
elétrico. Um estalo seco partiu da margem da estrada — madeira cedendo à
própria exaustão.

A árvore tombou com a lentidão solene das
coisas inevitáveis.

Não houve tempo para cálculo, apenas um
instante de reconhecimento — como se Leonore tivesse percebido que a vida,
afinal, é sempre uma conversa interrompida. O impacto foi abrupto, definitivo.
A lataria cedeu sob o peso do tronco antigo. Depois, silêncio.

A chuva veio tarde demais.

Quando os faróis se apagaram, a estrada
permaneceu indiferente. As árvores voltaram à sua postura vertical. O vento,
satisfeito, cessou.

E algo — leve, quase imperceptível — se
desprendeu daquilo que antes respirava.

II – A Câmara e o Corvo

O quarto é antigo. Cortinas pesadas.
Meia-noite que não passa.

Ele — o narrador — está só. Livros
empilhados como muralhas contra o vazio. Repete o nome dela como quem tenta
costurar o rasgo do mundo.

Leonore.

Mas a palavra já não responde.

O bater na janela não é tempestade. É
presença.

O corvo entra não como ave, mas como
sentença. Instala-se acima da porta, sombra sobre sombra. Não ameaça. Não
grita. Apenas existe.

E diz:

— Nunca mais.

A alma de Leonore, suspensa entre o que foi
e o que não pode mais ser, sente o peso daquela negação. Não é dor física. É
uma gravidade metafísica. A sombra do corvo não é escura por cor, mas por
significado. Ela representa a recusa do retorno. A impossibilidade do recomeço
igual.

O narrador pergunta. Suplica. Interpreta
sinais onde não há sinais. O corvo responde sempre igual.

Nunca mais.

Mas talvez a ave não seja apenas negação.
Talvez seja espelho.

Porque a sombra que oprime também delimita
forma. O “nunca” desenha contornos no caos. O luto é uma moldura severa, mas é
moldura.

Leonore compreende — não como pensamento,
mas como expansão: o fim não é argumento final, é deslocamento.

O corvo permanece. A palavra permanece.

Mas algo muda.

A sombra deixa de ser prisão e torna-se
limite — e limites podem ser atravessados.

III – Plantar de Novo

O canal começa de forma simples.

Câmera improvisada. Fundo neutro. Um homem
que aprendeu a olhar para árvores com outra gravidade.

“Bem-vindos ao 'Plantio E Manejo Seguro De Árvores'",
ele diz, ajustando o foco. A voz já não treme como no quarto antigo. Há uma
serenidade trabalhada, construída com insistência.

Ele explica sobre raízes superficiais. Sobre
a importância da distância correta entre árvores e vias públicas. Fala de
ventos predominantes, de solo mal compactado, de espécies inadequadas para
áreas urbanas.

Mostra diagramas. Entrevista engenheiros
florestais. Conversa com moradores que tiveram prejuízos evitáveis. Ensina como
plantar não apenas para crescer, mas para durar com segurança.

Em um dos vídeos, segura uma muda jovem e
diz:

“Plantar é um gesto de futuro. Mas plantar
sem responsabilidade é descuido disfarçado de esperança.”

O canal cresce. Pessoas compartilham
histórias. Prefeituras entram em contato. Escolas convidam para palestras. A
tragédia deixa de ser apenas memória e se transforma em fundamento.

Ele nunca fala explicitamente do acidente.

Mas quando o vento sopra mais forte durante
as gravações externas, ele pausa. Respira. Observa as copas.

Não com medo.

Com respeito.

À noite, às vezes, sonha com um quarto
escuro e uma ave imóvel acima da porta.

No sonho, o corvo já não diz “Nunca mais”.

Apenas observa.

E talvez — só talvez — o silêncio seja uma
nova palavra








segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Autismo E Uso Do Celular: Levantamento De Referências.

Existe alguma pesquisa relacionando o nascimento acentuado de crianças portando autismo e uso de celular pela mãe ou mesmo com poluição eletromagnética?

Sim — há pesquisas que investigam possíveis relações entre fatores ambientais como o uso de celular pela mãe, exposição a campos eletromagnéticos (EMFs) e o risco de autismo ou outros transtornos neurodesenvolvimentais, mas os achados não são conclusivos e não estabelecem causalidade. Aqui vai um resumo baseado em evidência científica atual:
📱
1. Uso de celular pela mãe durante a gravidez
🔍
Estudos epidemiológicos analisaram o uso de telefones celulares por gestantes e possíveis impactos no desenvolvimento infantil. Algumas pesquisas encontraram associações estatísticas com problemas comportamentais, como hiperatividade e déficit de atenção na infância — não autismo especificamente — em dados observacionais.
➡️
Limitações importantes desses estudos:
São observacionais: eles encontram correlações, mas não provam que o uso do celular causa os efeitos.
Podem estar influenciados por outros fatores (ex.: mães que usam mais o celular podem ter estilos de vida diferentes, mais estresse ou outras características que influenciam o desenvolvimento das crianças).
Não há estudos robustos que demonstrem ligação direta e causal com autismo (TEA).
👉
Em resumo: alguns sinais de associação com comportamentos (como hiperatividade/inatenção) foram relatados, mas não há consenso científico de que uso de celular na gestação aumenta o risco de autismo.
🌐
2. Exposição a campos eletromagnéticos (EMFs) e autismo
🔬
Algumas hipóteses científicas sugerem que exposições ambientais, incluindo campos de rádio e frequências eletromagnéticas, poderiam, teoricamente, influenciar o neurodesenvolvimento bacteriologicamente ou geneticamente. Há literatura e teorias que exploram possíveis mecanismos celulares.
📊
Resultados mistos e inconclusivos:
Revisões científicas anteriores encontram evidência inconsistente e insuficiente para afirmar uma relação direta entre EMFs e risco de autismo.
Alguns estudos identificaram associações estatísticas com problemas de fala ou comportamentais, mas não especificamente com TEA.
Pesquisas teóricas e mecanismos propostos ainda não foram validados por grandes estudos epidemiológicos rigorosos.
👉
Conclusão: não há evidência científica sólida que ligue diretamente EMFs (como os emitidos por celulares ou estações) ao aumento de autismo.
🌍
3. Outros fatores ambientais investigados
✅
Existem estudos que exploram outros fatores ambientais durante a gravidez que podem influenciar o risco de autismo:
Poluição do ar: pesquisas sugerem que maior exposição a poluentes ambientais (partículas, carbono etc.) durante a gestação pode estar associada a risco aumentado de TEA, embora isso não comprove causa e efeito e envolva múltiplos fatores complexos.
Infecções maternas (como COVID-19) e outras condições médicas têm sido associadas a risco maior, indicando que fatores biológicos e imunológicos também desempenham papel.
🧠
4. O que a comunidade científica concorda hoje
✔
Autismo envolve uma combinação de fatores genéticos e ambientais — com forte componente genético reconhecido pela maioria dos cientistas.
✔
Ambiente gestacional pode influenciar o risco, mas as associações são pequenas e muitos fatores de confusão existem (idade materna, saúde geral, estilo de vida, predisposição genética, etc.).
✔
Não existe evidência suficiente para afirmar que o uso de telefone celular pela gestante ou a exposição normal a campos eletromagnéticos causa autismo.
✔
Problemas comportamentais relatados em alguns estudos não equivalem a TEA e podem refletir outros mecanismos ou vieses.
🧩
Em termos simples
Fatores investigados Associação encontrada Causalidade comprovada?
Uso de celular na gestação
🤔
Alguma correlação leve com problemas comportamentais
❌
Não
Exposição a campos eletromagnéticos (EMFs)
🧪
Teorias e estudos iniciais inconsistentes
❌
Não
Poluição do ar
📈
Sinais de associação em alguns estudos
❌
Causalidade não confirmada
Genética
✅
Fatores genéticos são fortemente associados ao TEA
✔️
Sim
📌
Conclusão
Até o momento, não há evidência científica forte que associe de forma causal o uso de celular pela mãe ou a exposição normal eletromagnética ao nascimento de crianças com autismo. Pesquisas continuam em andamento, especialmente sobre fatores ambientais complexos durante a gravidez, mas os resultados existentes são inconclusivos e não definitivos.

A Oração (Prece, Reza) No Teatro.

A Oração (Prece, Reza) No Teatro. Quem inventou a oração, a prece, a reza? A oração não foi “inventada” por uma única pessoa. Ela surgiu de ...