Queremos combater o BARULHO, a SUJEIRA e a FALTA DE EDUCAÇÃO, de maneira irreverente e com espírito de revolução moral.
Um NOVO POVO para um NOVO PAÍS!
Mantendo-se a tendência atual do fatos, em, no máximo, dois anos, nós de São Paulo - SP, estaremos em guerra civil declarada, contra a bandidagem, devido ao barulho, à sujeira e à falta de educação.
Tal previsão deve se confirmar, analisando a inversão de valores promovida pela grande mídia em geral e pela observação do que ocorre, hoje, no dia a dia dos bairros da Capital.
A cultura "bairro" está se perdendo e dando lugar à cultura "favela", na qual quem manda é a malandragem, mantendo a população trabalhadora em regime de escravidão e de servilidade.
Com o alastramento dessa cultura, até mesmo os locais mais preservados se deteriorarão, pois os meliantes, auferindo lucros altos, mudarão para bairros mais organizados e alastrarão a sua cultura do mal, abrindo caminho para os comparsas. Mas, antes disso, acabarão expulsando, definitivamente, antigos moradores dos bairros menos estruturados, tomando seu patrimônio mais caro, as suas residências.
Aqueles mais aguerridos passarão a organizar guerrilhas urbanas, a fim de manterem seus bens e protegerem as suas famílias. Mas, acima de tudo, lutarão contra a tal escravidão imposta pelo crime organizado e por anseios de liberdade e perseverança no bem.
É fato a música e outros ruídos serem usados, tanto no passado, quanto no presente, como tortura psicológica, ou seja, aquela na qual busca-se abalar o prisioneiro em seus brios, na sua disposição, no seu moral, no seu equilíbrio emocional, na sua capacidade de concentração e de discernimento, mais que, no próprio corpo, causar ferimentos sangrantes, hematomas, dilacerações etc.
Pancadões, festas, shows, carros com som ligado, estouros e acelerações contínuas de motocicleta, falatórios intermitentes têm as características citadas acima e, portanto, devem ser encaradas e taxadas de tortura psicológica.
Tentaremos, a partir de agora, sensibilizar a imprensa, a sociedade em geral e o governo, na tentativa de criar leis nesse sentido, punindo os culpados de maneira exemplar, a fim de exterminarmos, da nossa sociedade, esses comportamentos nocivos, patrocinadores de tantos crimes de morte, de brigas outras e da expulsão de moradores de suas residências, conquistadas com muito suor e lágrimas.
Dia 30/08/2020, Jardim ...,
São Paulo – SP: Prenúncios de Tempos Tenebrosos, Após as Eleições.
Por volta das 3h da madrugada,
fui acordado por som forte de música, com certeza vinda de um automóvel.
Pensando ser o início de mais um pancadão, dessa vez, vesti-me e fui para a
rua, dar uma volta no quarteirão, a fim de localizar o tal veículo e tentar
avisar a polícia. Antes disso, posicionei-me em minha casa de maneira a
enxergar melhor a viela da favela e vi um veículo preto em direção à Avenida ..., com o som do carro perturbando o sossego.
Decidi, então, seguir por ali e,
bem na viela, topei com outro carro, modelo antigo, cor clara, meio azulada,
com som forte. Na tentativa de visualizar a placa (-------, mas não tenho
certeza), fui xingado pelos ocupantes. Não dei atenção e segui, com medo que
voltassem e me agredissem.
Entrei na Avenida B....
Estava bem sossegada. Somente um bar aberto. Na Avenida ..., vi três
motocicletas em alta velocidade, com os condutores e os garupas sem capacetes.
Quando cheguei ao “lixão” da
Transpetro e da Enel, percebi que o lixo retirado, pela Transpetro, já dava
lugar a novos descartes irregulares. Percebi saco transparente com várias
embalagens da Pizzaria .... Vi, também, movimento de dois sem teto,
homem e mulher, parecendo carregarem telhas e outros matérias.
Entrei, novamente, na Rua.., na qual só vi dois noias conhecidos, porém sem causar transtorno
algum. Chegou uma terceira noia, em gritaria, mas fez isso só para me provocar.
Não liguei.
Agora, o mais impressionante e
preocupante é o seguinte: desde às 3h da madrugada, até às 4h48 (momento em que
me ponho a escrever), certo motociclista rodou com a sua motocicleta causando
muita algazarra, com acelerações irritantes. Não pude sair para tentar anotar a
placa e dar algum endereço de referência, a fim de acionar a polícia. Prometo
fazê-lo da próxima vez. Mas fica o alerta: estão colocando as asinhas de fora,
novamente.
São 5h22 e o tal da motocicleta continua com o "showzinho" perturbador. Impressionante não ter cruzado com uma viatura da polícia, sequer!
Conta
um velho manuscrito beneditino que o Diabo, em certo dia, teve a idéia de
fundar uma igreja. Embora os seus lucros fossem contínuos e grandes, sentia-se
humilhado com o papel avulso que exercia desde séculos, sem organização, sem
regras, sem cânones, sem ritual, sem nada. Vivia, por assim dizer, dos
remanescentes divinos, dos descuidos e obséquios humanos. Nada fixo, nada
regular. Por que não teria ele a sua igreja? Uma igreja do Diabo era o meio
eficaz de combater as outras religiões, e destruí-las de uma vez.
-
Vá, pois, uma igreja, concluiu ele. Escritura contra Escritura, breviário
contra breviário. Terei a minha missa, com vinho e pão à farta, as minhas
prédicas, bulas, novenas e todo o demais aparelho eclesiástico. O meu credo
será o núcleo universal dos espíritos, a minha igreja uma tenda de Abraão. E
depois, enquanto as outras religiões se combatem e se dividem, a minha igreja
será única; não acharei diante de mim, nem Maomé, nem Lutero. Há muitos modos
de afirmar; há só um de negar tudo.
Dizendo
isto, o Diabo sacudiu a cabeça e estendeu os braços, com um gesto magnífico e
varonil. Em seguida, lembrou-se de ir ter com Deus para comunicar-lhe a idéia,
e desafiá-lo; levantou os olhos, acesos de ódio, ásperos de vingança, e disse
consigo: - Vamos, é tempo. E rápido, batendo as asas, com tal estrondo que
abalou todas as províncias do abismo, arrancou da sombra para o infinito azul.
II
ENTRE DEUS E O DIABO
Deus
recolhia um ancião, quando o Diabo chegou ao céu. Os serafins que engrinaldavam
o recém-chegado, detiveram-no logo, e o Diabo deixou-se estar à entrada com os
olhos no Senhor.
-
Que me queres tu? perguntou este.
-
Não venho pelo vosso servo Fausto, respondeu o Diabo rindo, mas por todos os
Faustos do século e dos séculos.
-
Explica-te.
-
Senhor, a explicação é fácil; mas permiti que vos diga: recolhei primeiro esse
bom velho; dai-lhe o melhor lugar, mandai que as mais afinadas cítaras e
alaúdes o recebam com os mais divinos coros...
-
Sabes o que ele fez? perguntou o Senhor, com os olhos cheios de doçura.
-
Não, mas provavelmente é dos últimos que virão ter convosco. Não tarda muito
que o céu fique semelhante a uma casa vazia, por causa do preço, que é alto.
Vou edificar uma hospedaria barata; em duas palavras, vou fundar uma igreja.
Estou cansado da minha desorganização, do meu reinado casual e adventício. É
tempo de obter a vitória final e completa. E então vim dizer-vos isto, com
lealdade, para que me não acuseis de dissimulação... Boa idéia, não vos parece?
-
Vieste dizê-la, não legitimá-la, advertiu o Senhor,
-
Tendes razão, acudiu o Diabo; mas o amor-próprio gosta de ouvir o aplauso dos
mestres. Verdade é que neste caso seria o aplauso de um mestre vencido, e uma
tal exigência... Senhor, desço à terra; vou lançar a minha pedra fundamental.
-
Vai
-
Quereis que venha anunciar-vos o remate da obra?
-
Não é preciso; basta que me digas desde já por que motivo, cansado há tanto da
tua desorganização, só agora pensaste em fundar uma igreja?
O
Diabo sorriu com certo ar de escárnio e triunfo. Tinha alguma idéia cruel no
espírito, algum reparo picante no alforje da memória, qualquer coisa que, nesse
breve instante da eternidade, o fazia crer superior ao próprio Deus. Mas
recolheu o riso, e disse:
-
Só agora concluí uma observação, começada desde alguns séculos, e é que as
virtudes, filhas do céu, são em grande número comparáveis a rainhas, cujo manto
de veludo rematasse em franjas de algodão. Ora, eu proponho-me a puxá-las por
essa franja, e trazê- las todas para minha igreja; atrás delas virão as de seda
pura...
-
Velho retórico! murmurou o Senhor.
-
Olhai bem. Muitos corpos que ajoelham aos vossos pés, nos templos do mundo,
trazem as anquinhas da sala e da rua, os rostos tingem-se do mesmo pó, os
lenços cheiram aos mesmos cheiros, as pupilas centelham de curiosidade e
devoção entre o livro santo e o bigode do pecado. Vede o ardor, - a
indiferença, ao menos, - com que esse cavalheiro põe em letras públicas os
benefícios que liberalmente espalha, - ou sejam roupas ou botas, ou moedas, ou
quaisquer dessas matérias necessárias à vida... Mas não quero parecer que me
detenho em coisas miúdas; não falo, por exemplo, da placidez com que este juiz
de irmandade, nas procissões, carrega piedosamente ao peito o vosso amor e uma
comenda... Vou a negócios mais altos...
Nisto
os serafins agitaram as asas pesadas de fastio e sono. Miguel e Gabriel fitaram
no Senhor um olhar de súplica, Deus interrompeu o Diabo.
-
Tu és vulgar, que é o pior que pode acontecer a um espírito da tua espécie,
replicou-lhe o Senhor. Tudo o que dizes ou digas está dito e redito pelos
moralistas do mundo. É assunto gasto; e se não tens força, nem originalidade
para renovar um assunto gasto, melhor é que te cales e te retires. Olha; todas
as minhas legiões mostram no rosto os sinais vivos do tédio que lhes dás. Esse
mesmo ancião parece enjoado; e sabes tu o que ele fez?
-
Já vos disse que não.
-
Depois de uma vida honesta, teve uma morte sublime. Colhido em um naufrágio, ia
salvar-se numa tábua; mas viu um casal de noivos, na flor da vida, que se
debatiam já com a morte; deu-lhes a tábua de salvação e mergulhou na
eternidade. Nenhum público: a água e o céu por cima. Onde achas aí a franja de
algodão?
-
Senhor, eu sou, como sabeis, o espírito que nega.
-
Negas esta morte?
-
Nego tudo. A misantropia pode tomar aspecto de caridade; deixar a vida aos
outros, para um misantropo, é realmente aborrecê-los...
-
Retórico e sutil! exclamou o Senhor. Vai; vai, funda a tua igreja; chama todas
as virtudes, recolhe todas as franjas, convoca todos os homens... Mas, vai!
vai!
Debalde
o Diabo tentou proferir alguma coisa mais. Deus impusera-lhe silêncio; os
serafins, a um sinal divino, encheram o céu com as harmonias de seus cânticos.
O Diabo sentiu, de repente, que se achava no ar; dobrou as asas, e, como um
raio, caiu na terra.
III
A BOA NOVA AOS HOMENS
Uma
vez na terra, o Diabo não perdeu um minuto. Deu-se pressa em enfiar a cogula
beneditina, como hábito de boa fama, e entrou a espalhar uma doutrina nova e
extraordinária, com uma voz que reboava nas entranhas do século. Ele prometia
aos seus discípulos e fiéis as delícias da terra, todas as glórias, os deleites
mais íntimos. Confessava que era o Diabo; mas confessava-o para retificar a
noção que os homens tinham dele e desmentir as histórias que a seu respeito
contavam as velhas beatas.
-
Sim, sou o Diabo, repetia ele; não o Diabo das noites sulfúreas, dos contos
soníferos, terror das crianças, mas o Diabo verdadeiro e único, o próprio gênio
da natureza, a que se deu aquele nome para arredá-lo do coração dos homens.
Vede-me gentil a airoso. Sou o vosso verdadeiro pai. Vamos lá: tomai daquele
nome, inventado para meu desdouro, fazei dele um troféu e um lábaro, e eu vos
darei tudo, tudo, tudo, tudo, tudo, tudo...
Era
assim que falava, a princípio, para excitar o entusiasmo, espertar os
indiferentes, congregar, em suma, as multidões ao pé de si. E elas vieram; e
logo que vieram, o Diabo passou a definir a doutrina. A doutrina era a que
podia ser na boca de um espírito de negação. Isso quanto à substância, porque,
acerca da forma, era umas vezes sutil, outras cínica e deslavada.
Clamava
ele que as virtudes aceitas deviam ser substituídas por outras, que eram as
naturais e legítimas. A soberba, a luxúria, a preguiça foram reabilitadas, e
assim também a avareza, que declarou não ser mais do que a mãe da economia, com
a diferença que a mãe era robusta, e a filha uma esgalgada. A ira tinha a
melhor defesa na existência de Homero; sem o furor de Aquiles, não haveria a
Ilíada: "Musa, canta a cólera de Aquiles, filho de Peleu"... O mesmo
disse da gula, que produziu as melhores páginas de Rabelais, e muitos bons
versos do Hissope; virtude tão superior, que ninguém se lembra das batalhas de
Luculo, mas das suas ceias; foi a gula que realmente o fez imortal. Mas, ainda
pondo de lado essas razões de ordem literária ou histórica, para só mostrar o
valor intrínseco daquela virtude, quem negaria que era muito melhor sentir na
boca e no ventre os bons manjares, em grande cópia, do que os maus bocados, ou
a saliva do jejum? Pela sua parte o Diabo prometia substituir a vinha do Senhor,
expressão metafórica, pela vinha do Diabo, locução direta e verdadeira, pois
não faltaria nunca aos seus com o fruto das mais belas cepas do mundo. Quanto à
inveja, pregou friamente que era a virtude principal, origem de prosperidades
infinitas; virtude preciosa, que chegava a suprir todas as outras, e ao próprio
talento.
As
turbas corriam atrás dele entusiasmadas. O Diabo incutia-lhes, a grandes golpes
de eloqüência, toda a nova ordem de coisas, trocando a noção delas, fazendo
amar as perversas e detestar as sãs.
Nada
mais curioso, por exemplo, do que a definição que ele dava da fraude.
Chamava-lhe o braço esquerdo do homem; o braço direito era a força; e concluía:
muitos homens são canhotos, eis tudo. Ora, ele não exigia que todos fossem
canhotos; não era exclusivista. Que uns fossem canhotos, outros destros;
aceitava a todos, menos os que não fossem nada. A demonstração, porém, mais
rigorosa e profunda, foi a da venalidade. Um casuísta do tempo chegou a
confessar que era um monumento de lógica. A venalidade, disse o Diabo, era o
exercício de um direito superior a todos os direitos. Se tu podes vender a tua
casa, o teu boi, o teu sapato, o teu chapéu, coisas que são tuas por uma razão
jurídica e legal, mas que, em todo caso, estão fora de ti, como é que não podes
vender a tua opinião, o teu voto, a tua palavra, a tua fé, coisas que são mais
do que tuas, porque são a tua própria consciência, isto é, tu mesmo? Negá-lo é
cair no obscuro e no contraditório. Pois não há mulheres que vendem os cabelos?
não pode um homem vender uma parte do seu sangue para transfundi-lo a outro
homem anêmico? e o sangue e os cabelos, partes físicas, terão um privilégio que
se nega ao caráter, à porção moral do homem? Demonstrando assim o princípio, o
Diabo não se demorou em expor as vantagens de ordem temporal ou pecuniária;
depois, mostrou ainda que, à vista do preconceito social, conviria dissimular o
exercício de um direito tão legítimo, o que era exercer ao mesmo tempo a
venalidade e a hipocrisia, isto é, merecer duplicadamente. E descia, e subia,
examinava tudo, retificava tudo. Está claro que combateu o perdão das injúrias
e outras máximas de brandura e cordialidade. Não proibiu formalmente a calúnia
gratuita, mas induziu a exercê-la mediante retribuição, ou pecuniária, ou de
outra espécie; nos casos, porém, em que ela fosse uma expansão imperiosa da
força imaginativa, e nada mais, proibia receber nenhum salário, pois equivalia
a fazer pagar a transpiração. Todas as formas de respeito foram condenadas por
ele, como elementos possíveis de um certo decoro social e pessoal; salva,
todavia, a única exceção do interesse. Mas essa mesma exceção foi logo
eliminada, pela consideração de que o interesse, convertendo o respeito em
simples adulação, era este o sentimento aplicado e não aquele.
Para
rematar a obra, entendeu o Diabo que lhe cumpria cortar por toda a
solidariedade humana. Com efeito, o amor do próximo era um obstáculo grave à
nova instituição. Ele mostrou que essa regra era uma simples invenção de
parasitas e negociantes insolváveis; não se devia dar ao próximo senão
indiferença; em alguns casos, ódio ou desprezo. Chegou mesmo à demonstração de
que a noção de próximo era errada, e citava esta frase de um padre de Nápoles,
aquele fino e letrado Galiani, que escrevia a uma das marquesas do antigo
regímen: "Leve a breca o próximo! Não há próximo!" A única hipótese
em que ele permitia amar ao próximo era quando se tratasse de amar as damas
alheias, porque essa espécie de amor tinha a particularidade de não ser outra
coisa mais do que o amor do indivíduo a si mesmo. E como alguns discípulos
achassem que uma tal explicação, por metafísica, escapava à compreensão das
turbas, o Diabo recorreu a um apólogo: - Cem pessoas tomam ações de um banco,
para as operações comuns; mas cada acionista não cuida realmente senão nos seus
dividendos: é o que acontece aos adúlteros. Este apólogo foi incluído no livro
da sabedoria.
IV
FRANJAS E FRANJAS
A
previsão do Diabo verificou-se. Todas as virtudes cuja capa de veludo acabava
em franja de algodão, uma vez puxadas pela franja, deitavam a capa às urtigas e
vinham alistar-se na igreja nova. Atrás foram chegando as outras, e o tempo
abençoou a instituição. A igreja fundara-se; a doutrina propagava-se; não havia
uma região do globo que não a conhecesse, uma língua que não a traduzisse, uma
raça que não a amasse. O Diabo alçou brados de triunfo.
Um
dia, porém, longos anos depois, notou o Diabo que muitos dos seus fiéis, às
escondidas, praticavam as antigas virtudes. Não as praticavam todas, nem integralmente,
mas algumas, por partes, e, como digo, às ocultas. Certos glutões recolhiam-se
a comer frugalmente três ou quatro vezes por ano, justamente em dias de
preceito católico; muitos avaros davam esmolas, à noite, ou nas ruas mal
povoadas; vários dilapidadores do erário restituíam-lhe pequenas quantias; os
fraudulentos falavam, uma ou outra vez, com o coração nas mãos, mas com o mesmo
rosto dissimulado, para fazer crer que estavam embaçando os outros.
A
descoberta assombrou o Diabo. Meteu-se a conhecer mais diretamente o mal, e viu
que lavrava muito. Alguns casos eram até incompreensíveis, como o de um
droguista do Levante, que envenenara longamente uma geração inteira, e, com o
produto das drogas socorria os filhos das vítimas. No Cairo achou um perfeito
ladrão de camelos, que tapava a cara para ir às mesquitas. O Diabo deu com ele
à entrada de uma, lançou-lhe em rosto o procedimento; ele negou, dizendo que ia
ali roubar o camelo de um drogomano; roubou-o, com efeito, à vista do Diabo e
foi dá-lo de presente a um muezim, que rezou por ele a Alá. O manuscrito
beneditino cita muitas outras descobertas extraordinárias, entre elas esta, que
desorientou completamente o Diabo. Um dos seus melhores apóstolos era um
calabrês, varão de cinqüenta anos, insigne falsificador de documentos, que
possuía uma bela casa na campanha romana, telas, estátuas, biblioteca, etc. Era
a fraude em pessoa; chegava a meter-se na cama para não confessar que estava
são. Pois esse homem, não só não furtava ao jogo, como ainda dava gratificações
aos criados. Tendo angariado a amizade de um cônego, ia todas as semanas
confessar-se com ele, numa capela solitária; e, conquanto não lhe desvendasse
nenhuma das suas ações secretas, benzia-se duas vezes, ao ajoelhar-se, e ao
levantar-se. O Diabo mal pôde crer tamanha aleivosia. Mas não havia duvidar; o
caso era verdadeiro.
Não
se deteve um instante. O pasmo não lhe deu tempo de refletir, comparar e
concluir do espetáculo presente alguma coisa análoga ao passado. Voou de novo
ao céu, trêmulo de raiva, ansioso de conhecer a causa secreta de tão singular
fenômeno. Deus ouviu-o com infinita complacência; não o interrompeu, não o
repreendeu, não triunfou, sequer, daquela agonia satânica. Pôs os olhos nele, e
disse:
-
Que queres tu, meu pobre Diabo? As capas de algodão têm agora franjas de seda,
como as de veludo tiveram franjas de algodão. Que queres tu? É a eterna
contradição humana.
Estávamos em nossa cama, pensando
no sossego reinante na Avenida... e na Rua..., já faz
algumas semanas, isso por volta das 2h da madrugada, quando nosso coração
estremeceu, constatando o pior: eram os primeiros sons de um pancadão, não
muito distante, invadindo nosso lar. Lar que deveria ser digno, como prevê a
Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Levantamo-nos, chegando à janela,
para tentar identificar de onde vinha todo aquele barulho, para nós abafado,
mas, pondo-nos no lugar dos nossos irmãos de outros bairros, não pudemos deixar
de nos deprimir. Depois, a consciência pesada de nada poder fazer,
transformou-se em anúncio de tragédia eminente e iminente: o próximo será mais próximo e, depois, mais próximo, até estarem em nossa rua, novamente.
Pobres paulistanos! Perturbados
em seu sagrado sossego, adoecendo, sendo expulsos de suas moradias, conquistadas
com muito suor e lágrimas, pela inconsequência de nossos governadores, daqueles
que juraram zelar pelo bem-estar de todos.
Temos um escritório equipado para registrar pedidos e ocorrências relacionadas ao barulho, à sujeira e à falta de educação. Obtivemos, até o momento, bons resultados. Mas muito, ainda, precisa ser feito. Para tanto, montamos uma loja virtual, cujas vendas servem para mantermos e aprimorarmos nossos recursos humanos e materiais. O link abaixo, leva aos nossos produtos. Grato!
No e-mail enviado à Brahma, lembro ser a "Perturbação do Sossego" crime de contravenção e que, na minha opinião, deveria ser crime hediondo, já que o barulho é instrumento de tortura, usado, inclusive, em Guantánamo e nos campos de concentração nazistas. Anuncio o meu boicote aos produtos da empresa.